quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

“O AMOR VERDADEIRO ESTÁ LÁ SEMPRE PRIMEIRO”


Esta vontade de sonhar coisas grandes, de aprender o caminho que Deus nos aponta com alegria e esperança, mobiliza para estes encontros que enriquecem, desacomodam e dão luz à vida que, tantas vezes, se deixa acinzentar…
Foi a 18 de Janeiro, no Centro Paroquial de Moura que aconteceu o 12º Encontro de Formação para Animadores da Comunidade. Éramos cerca de 30 participantes com esta disposição de encontro, de partilha e de aprender mais. Oriundos das paróquias de Moura, Vila Nova de S. Bento, Safara, Santa Clara (Almodôvar) e Mértola.
Mais uma vez valeu a pena ouvir o Padre Tony das Neves, provincial dos padres Espiritanos que, brilhantemente, nos falou da Exortação Apostólica Evangelii Gaudim, do Papa Francisco, a primeira e programática do seu pontificado.
Depois do acolhimento e da oração da manhã começou a reflexão sobre o tema, que assentou em três eixos geradores de citações de vários documentos da Igreja, devidamente fundamentados com vários textos bíblicos: 1- “ Primeirear”; 2- O Amor verdadeiro está lá sempre primeiro; 3- Oitavário de oração pela unidade dos cristãos (que começou neste dia do encontro).


Fazer memória
Sempre que um Papa escreve um documento faz a memória do que já está feito, por isso a referência a esses documentos (Ad Gentes, Evangelii Nuntiandi e Redemptoris Missio) situa-nos e permite perceber a ligação e o sentido coerente da Exortação mais recente.
O Evangelho é para todos os homens e para o homem todo, por isso esta Exortação aparece como uma torrente a inundar, a lubrificar e a tonificar todo os recantos de uma Igreja que se quer em “vestido de festa, saindo de si mesma, (…) para deixar de ser “administração” e para passar a “estado permanente de missão” (D. António Couto).
São ideias de “reforma”, são sinais de crescimento e enriquecimento espiritual que brotam de um Evangelho vivo, de uma Bíblia que não é de prateleira, mas de leitura constante, de guião de vida, capaz de trazer a alegria para o centro e ajudar a que deixemos de ser “cristãos de pastelaria” (Papa Francisco), que apenas procuram os doces da vida e se deixam abater pelos (amargos) problemas do quotidiano.

Tomar a iniciativa
“Primeirear” tem a ver com tomar a iniciativa e é um convite a sermos “Igreja em saída”, na rua, a partilhar a sorte e a má sorte de todos, sobretudo dos pobres, mesmo sujando as mãos (nº 20). A alegria do Evangelho é a festa da missão, mas para isso a fé tem também de ser aprofundada. Não podemos viver de “achismos e palpitologia”, é preciso ir mais fundo no desenvolvimento da nossa dimensão espiritual.
O Papa pretende colocar a igreja em “Sínodo”- em caminhada de fé- e não se impõe como última palavra. Por isso refere que a Igreja tem de ser missionária (virada para fora) e aponta as fragilidades dos agentes pastorais como problemas que afectam a credibilidade e tornam o testemunho incoerente. A Igreja estruturou-se muito numa linha hierárquica. Agora sabemos que o papel dos leigos é decisivo, nesta perspectiva de totalidade do povo de Deus que evangeliza.
A homilia deve fazer uma leitura aprofundada da Palavra de Deus, com sentido de responsabilidade, sendo: clara, curta, objetiva e cativante.O nº135 da Exortação é mesmo um acto de humor, quando diz: “sabemos que os fiéis lhe dão muita importância; e muitas vezes, tanto eles como os próprios ministros ordenados sofrem: uns a ouvir e outros a pregar!”
As motivações espirituais para a Missão devem ser evangélicas e marcar a diferença das ONGs, através do vínculo espiritual. Uma Igreja pobre e para os pobres, uma Igreja total, sem deixar ninguém de fora. Os agentes da pastoral são apenas servos e não chefes. A igreja tem de ser alegre, feliz, optimista e aberta ao mundo.
O amor verdadeiro está sempre primeiro”
Apostar em Cristo. Acreditar que depois de uma “Quaresma” vem sempre uma “Páscoa”. Passar de uma Igreja de “cuidados paleativos” a uma Igreja de Missão. Mais que fazer a manutenção, é preciso uma nova cultura.” O Evangelho não é livro de estante que gera vidas de estante” (P.F.). A Igreja sairá desta mudança “pobre, leve e bela”e, para isso, precisa de passar do tempo do diagnóstico excessivo e sair em missão.
A transparência de Cristo tem que estar dentro da transparência da nossa vida; senão apenas são palavras que não geram mudança. Somos discípulos missionários e não discípulos e missionários”.

Grupos missionários paroquiais
A parte de tarde deste dia de formação foi preenchida com a proposta do Padre Agostinho, da criação de grupos missionários paroquiais, a partir da Carta dos nossos Bispos “Para um rosto missionário da Igreja em Portugal (2010). Testa aposta preconizada nesta Carta leva a que seja gerada uma interacção com os grupos apostólicos das paróquias, insuflando de espírito missionário toda a pastoral paroquial. Foram também apresentadas as acções missionárias em curso: Missões Populares, próximos encontros de formação, jornada missionária diocesana e aposta na Obra da Infância Missionária. O encontro terminou com um momento de oração, invocando maria, a Estrela da evangelização.
Foi assim o dia de formação, animado também por um almoço partilhado ao qual Moura fez com muita simpatia e competência as honras da casa. Obrigada, Moura, pelo excelente acolhimento.
Pode custar a saída do conforto da casa num dia de inverno, mas o calor e o entusiasmo que se partilha está muito além do comodismo de ficar.

Sebastiana Romana-Mértola

(CDM/Beja)

Sem comentários:

Enviar um comentário