quarta-feira, 28 de março de 2012

Reunião do Conselho Pastoral: Sínodo Diocesano, em horizonte


A 24 de Março, no Seminário de Beja, aconteceu a primeira reunião ordinária do Conselho pastoral Diocesano. O dia começou com o acolhimento feito pelo Senhor Bispo e pela oração da manhã.
O Pe. António Novais, responsável pelo SCAP, falou um pouco dos conselhos anteriores e passou a explicar a orientação dos trabalhos desta reunião.
D. António Vitalino deu algumas informações sobre questões ligadas ao testamento do Bispo emérito D. Manuel Falcão (que faleceu recentemente) e de seguida referiu a proposta sinodal de forma a dar início à integração do assunto que nos vai absorver a todos, referindo, claramente, que todos deverão fazer parte do Sínodo e que ninguém deverá sentir-se excluído.
Após estes assuntos iniciais, passámos à avaliação do Plano Pastoral, do ano pastoral em curso (Transmitimos, celebramos e testemunhamos), feito por arciprestado.
Foi referido que, de uma forma geral e, apesar da indiferença em relação à prática religiosa, se nota alguma melhoria em relação ao conhecimento Bíblico. Todavia, é necessário repensar juntos a Pastoral para as pessoas deste tempo e desta diocese. Salientaram-se algumas actividades desenvolvidas, nomeadamente:
- Actividades dos Movimentos
- Catequese da Infância, dos Jovens e dos Adultos
- Formação do clero
- Missões Populares.
Em relação às Missões, o Padre Novias apresentou todo o programa enviado pelo Padre Agostinho, responsável pelo Secretariado Diocesano das Missões, tendo justificado a sua ausência por, nesta data, estar a fazer uma Missão Popular, em Foros de Salvaterra (Diocese de Santarém). Todos ficaram informados das propostas do Secretariado das Missões.


De seguida, foram apresentadas algumas linhas de acção, a nível geral, para o plano pastoral do próximo ano:
Celebrar o Dia Diocesano com a participação dos grupos apostólicos formados no ano anterior;
Continuar as Catequeses Bíblicas para adultos, ao ritmo do Domingo seguinte e/ou dos Tempos Litúrgicos;
Organizar encontros anuais para reunir aqueles que celebraram os Sacramentos, e principalmente, os Sacramentos de Iniciação Cristã;
Na parte da tarde, em grupos, respondeu-se às questões colocadas na proposta de trabalho e dadas algumas sugestões para possíveis temas para o Sínodo, que o Senhor Bispo pretende anunciar na missa Crismal.
Faz parte do caminho sinodal a implementação de um itinerário de iniciação ou reiniciação cristã de jovens e adultos a realizar nas comunidades cristãs, de acordo com um itinerário temático.

Sebastiana Romana, de MértolaMembro do SDM e do Conselho Pastoral

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homens do diálogo


A Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta

“O trabalho começa hoje e não acaba nunca”. A afirmação é do Papa Paulo VI e compõe o penúltimo parágrafo da primeira encíclica do seu pontificado. Paulo VI falava do diálogo – teria de ser – e da prática que encontra tanto no “interior da Igreja” como com os de fora. Isso é sinal de que “a Igreja está hoje mais do que nunca viva”. “Mas – continua de imediato -, reparando bem, parece que tudo está ainda por fazer”.

Na Ecclesiam Suam, Paulo VI escreve 65 vezes a palavra diálogo. O documento é programático e de um pontificado que dava continuidade aos trabalhos do Concílio Vaticano II e teria de os fazer chegar à universalidade da Igreja. O Papa Montini reserva metade do texto, a segunda, para falar de diálogo. Antes, de outras duas atitudes que propõe para a Igreja Católica: consciência, renovação.

Na década de sessenta, e nos dias de hoje, o diálogo “com tudo o que é humano” é o horizonte. Paulo VI assume “de bom grado” essa “primeira universalidade”: “a vida, com todos os seus dons e problemas”. Depois, na definição de “círculos concêntricos” onde a Igreja Católica é chamada a estar em diálogo, refere os “crentes em Deus”; num terceiro círculo, o “mundo que se intitula cristão”. O Papa fala depois no diálogo dentro da Igreja, um “diálogo doméstico”, que deseja “familiar e intenso”.

O programa não é de há 50 anos. É dos dias de hoje. A comprová-lo, acontecimentos e sobretudo histórias de vida. Entre os acontecimentos, dois exemplos: a participação ativa e criativa de pessoas e instituições da Igreja Católica em iniciativas como Braga Capital Europeia da Juventude ou Guimarães Capital Europeia da Cultura.

Entre as vidas, sobressai a notoriedade de algumas. Sobretudo quando correspondem não a comportamentos ocasionais, antes a uma atitude permanente. É o caso de D. Manuel Franco Falcão.

Despedirmo-nos deste homem exige sobretudo dizer-lhe obrigado! Ao longo dos seus 89 anos, na universidade, no sacerdócio, no ministério episcopal viveu a urgência do diálogo. E dialogou; lançou-se ao encontro do outro, nos mesmos círculos concêntricos propostos pelo Papa Paulo VI.
Na História da Igreja em Portugal, D. Manuel Franco Falcão deixa capítulos inovadores sobre sociologia da religião, sobre diálogo da e na Igreja, sobre preservação e fruição do património. Deixa também largos passos dados na valorização dos meios de comunicação social. Concretamente, a Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta. Por isso e por tudo, obrigado! Sobretudo por sempre ter valorizado essa fronteira do diálogo, onde a Igreja é chamada a estar cada vez com mais intensidade, o mundo dos media.

Paulo Rocha