terça-feira, 29 de novembro de 2016

PRESÉPIOS NA PARÓQUIA DE ABELA
A Comunidade Paroquial de Abela e o Grupo de Catequese vão organizar pelo terceiro ano consecutivo a Exposição de Presépios pelas ruas da Abela (Santiago do Cacém). As duas edições anteriores foram um êxito: envolveram quase todas as famílias, centraram a vivência do Natal no Nascimento do Salvador, deram azo à criatividade e à arte e trouxeram à Abela muita gente de longe e de perto, para visitar a Exposição.
A iniciativa “A’ Bella, uma família - um presépio” será inaugurada no domingo, dia 4 de Dezembro pelas 15 horas com a celebração da Eucaristia, a visualização de um presépio ao vivo e venda de artesanato religioso e bolos.
Jú Gamito, Evinha e Maria Teresa são 3 das catequistas que têm assumido a liderança desta iniciativa. Falamos com elas sobre o evento, a sua dinamização e os “ganhos” que surgiram com este desafio.

1 – “Uma Família – Um Presépio”, nasceu há 3 anos. Como nasceu a ideia?
Catequistas - A ideia surgiu de um jovem adolescente da catequese, que propôs ao restante grupo realizarem um projecto que dinamizasse a terra e mostrasse a dinâmica do grupo. E assim nasceram os presépios de rua.
2 – Sabe-se que é uma iniciativa da Catequese Paroquial. Como passou a mensagem das crianças às famílias?
Catequistas – As crianças contaram aos pais que desde logo acolheram muito bem a ideia. A iniciativa mobilizou toda a aldeia que pôs mãos-à-obra e deram largas à sua imaginação utilizando os mais diversos materiais.
3 – Esta iniciativa é abrangente, pois mobiliza todas as famílias. Quantas famílias aderiram ao projecto (2014 e 2015).
Catequistas – Em 2014 foram 56 presépios, Em 2015 foram 93 presépios.
4 – Materiais diversos emprestam beleza e diversidade ao projecto. Em média, quantos dias e quantas pessoas estão envolvidas na preparação dos presépios?
Catequistas – Toda a aldeia está envolvida no projecto, em grupo ou individual. Não sabemos ao certo os dias, uns começam mais cedo, outros só em cima da hora. Tudo tem a ver com a disponibilidade e os materiais utilizados.
5 – A exposição começa no início do Advento e prolonga-se até à Epifania. Neste mês natalício, há muita gente que vem à Abela visitar a exposição dos presépios?
Catequistas – Sim, entre o dia 4 de Dezembro e o dia 6 de Janeiro, muitas pessoas irão passar por Abela, se for igual aos anos anteriores…Não conseguimos contabilizar o número de pessoas visto não termos um programa com horários, mas durante este período há movimentos diferentes do habitual, tanto de dia como de noite.
6 – Qual o balanço dos 2 últimos anos? Com esta iniciativa, será que a mensagem do Deus Menino chega a todos os que promovem, apoiam, preparam e visitam a Exposição “Uma Família – Um Presépio”.
Catequistas – O balanço é positivo, pois houve mais presépios e visitantes. Pensamos que com esta ideia conseguimos mostrar que “Natal” é o nascimento de Jesus e não o pai natal e os presentes.
7 – Que Mensagem ou Desafio querem lançar para quem visita, por estes dias a Abela?
Catequistas - Desafiamos todos os leitores a visitarem esta pequena localidade, que com união e amor mostram o verdadeiro sentido do Natal “JESUS”. Desejamos que neste Natal a luz do Menino Jesus ilumine os seus caminhos. Sempre é Natal onde nasce e renasce a PAZ, a ESPERANÇA e o AMOR. FELIZ NATAL!...

P. Agostinho Sousa, CM

sexta-feira, 25 de novembro de 2016



Espaço, tempo, eternidade.

1 - Com o tempo do Advento, iniciamos um novo Ano Litúrgico. Como é sabido, advento significa vinda. Esperamos a vinda do Senhor que veio, que virá …e que vem! As quatro semanas do Advento servem também para nos prepararmos para a celebração do Natal do Senhor mas visam sobretudo relançar e sustentar a nossa esperança na sua segunda vinda acolhendo-O agora, no tempo da nossa vida terrena.




De facto, o mesmo Filho de Deus que, incarnando no seio da Virgem Maria assumiu a natureza humana para nos resgatar do poder da morte morrendo na cruz por nosso amor e ressuscitando, há-de vir no fim dos tempos para nos ressuscitar e para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim. Mas o tempo em que podemos recebê-l’O é hoje. É hoje que Ele quer habitar pela fé em nossos corações. Como o próprio Jesus nos lembra no evangelho deste domingo, precisamos de estar despertos e vigilantes, e muito atentos aos sinais que anunciam a sua vinda. A certeza da sua vinda é o motivo maior de alegria e de esperança para nós que O amamos e desejamos estar com Ele.

- Perpassa nas leituras deste domingo um entusiasmo festivo que nos convida a despertar do sono, a levantar-nos, a estar despertos e vigilantes, a andar dignamente, a caminhar à luz do Senhor, a subir ao monte do Senhor, a ir com alegria para a casa do Senhor. Cristo Jesus vem ao nosso encontro! Vamos esperá-lo! Vamos nós também ao seu encontro! Mas onde e como O encontraremos realmente?


A segunda leitura começa com estas palavras de S. Paulo: vós sabeis em que tempo estamos. Será que sabemos? Que tempo é o nosso? Que é o tempo? Como escreveu Santo Agostinho, se ninguém me pergunta, sei o que é o tempo. Mas se quiser responder a quem me pergunta, não sei (Conf. XI 14,17). Mil e quinhentos anos passados, continua a ser verdade esta sua afirmação. Não sabemos o que é o tempo e damo-nos mal com o tempo.

A nossa é a civilização do espaço, dos lugares e das coisas, a civilização da matéria. Somos especialistas em dominar o espaço pela ciência, pela velocidade, pela informação. Dominar o espaço inspira-nos segurança. No espaço, cada um de nós vê-se a si mesmo como o centro da paisagem. Mas a dimensão do tempo escapa-nos, assusta-nos e deixa-nos inseguros porque aí não somos o centro; aí vemo-nos como que levados por um rio de que desconhecemos a nascente e a foz e cuja corrente não podemos estancar. Há muita gente que não suporta o tic-tac do relógio. O passar das horas e dos dias lembra-nos que a morte se aproxima. E se a morte é apenas o fim em que tudo acaba e o nosso regresso ao pó de que fomos tirados, quem pode enfrentá-la com serenidade?

Como posso viver lucidamente o escoar do tempo da minha vida sabendo que a minha pessoa, tudo o que sou, vai ser destruído e reduzido a nada? Por isso se inventam passatempos e divertimentos para nos alhearmos da dimensão do tempo e esquecermos a nossa condição efémera. E tiramos a conclusão:comamos e bebamos, que amanhã morreremos! E assim, adormecidos ou anestesiados, não damos pela maravilha que é o tesouro da nossa existência e desbaratamo-lo vivendo sem sabedoria, como irracionais, entretidos a comer e a beber, a trabalhar e a dormir, a sofrer e a gozar sem darmos por nada! A nossa vida é uma série imensa de prodígios, um mistério sublime de amor que tantas vezes nos passa ao lado, e não damos por nada!

- Chegou a hora de nos levantarmos do sono! Morrendo na cruz por nosso amor e ressuscitando, Jesus Nosso Senhor destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade. Quem n’Ele acredita e recebe o seu Espírito, torna-se participante da sua vitória e toda a sua vida fica iluminada por uma nova luz. De acordo com a promessa do Senhor, sabemos que, ao morrer, nos encontraremos com Ele. Que alegria e que felicidade vermos face a face o rosto glorioso d’Aquele que nos ama! E que maravilha vivermos, desde agora, libertos da angústia e do medo da morte!

Toca-nos viver os últimos tempos inaugurados pela morte e ressurreição de Jesus, o tempo da paciência de Deus, o tempo de fazer chegar o anúncio do evangelho a toda a criatura, o tempo de nos convertermos, de nos voltarmos para o Senhor, de caminharmos à luz do Senhor na fé, na esperança e na caridade.

Criados por Ele e para Ele, vivemos à luz do primeiro dia. Redimidos por Ele, iluminados pelo seu triunfo sobre a morte e participantes da nova criação, vivemos também à luz do oitavo dia, à luz da vida eterna. A luz da criação situa-nos no espaço deste mundo; a luz do oitavo dia ilumina, a partir do fim, o tempo que nos é dado viver aqui na terra. Cristo é a luz do primeiro e a do oitavo dia, a luz deste mundo e a luz do mundo que há-de vir. Por isso, só Ele pode dizer com toda a verdade: Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue, não anda nas trevas (Jo. 8,12).

4 - Seguir Jesus Cristo é passar do espaço ao tempo e do tempo à eternidade. É transferir para Ele as nossas seguranças tornando-nos livres da escravidão do dinheiro, dos bens materiais e dos afetos. É desencalhar da materialidade do espaço e das coisas a frágil barca da nossa vida para vivermos, com o Senhor, a fluidez e os sobressaltos da dimensão do tempo, experimentando que Deus Se manifesta nos acontecimentos da nossa vida e da história do mundo. Assim aprendemos a santificar o tempo com a Liturgia das Horas e a celebrar o Dia do Senhor e as festas, edificando no tempo o templo espiritual, o corpo de Cristo Ressuscitado, para nos tornarmos praticantes do culto espiritual inaugurado por Ele na cruz. Vai sendo tempo!
+ J. Marcos,
Bispo de Beja

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Diocese disse «obrigado» a D. António Vitalino

Celebração de despedida reuniu colaboradores das várias paróquias

O bispo emérito de Beja, D. António Vitalino, teve uma despedida “calorosa”, este domingo, naquela cidade do Alentejo, com a presença de colaboradores das várias paróquias daquele território. Na festa, que coincidiu com o encerramento da porta jubilar da misericórdia, D. António Vitalino confessou-se emocionado à Agência ECCLESIA com o “carinho dispensado” e, “embora vá residir para a comunidade carmelita, em Fátima” deixou uma certeza: “Sempre que precisarem de mim, estarei disponível”.


Durante a sessão, pincelada com testemunhos e obras musicais, o povo alentejano agradeceu o trabalho realizado pelo antecessor de D. João Marcos. Para o vigário-geral da Diocese de Beja, padre António Domingos Pereira, o bispo emérito de Beja foi, essencialmente, “um organizador” e, atualmente, “a diocese pode construir coisas muito interessantes”.

A preocupação “grande com aqueles que estão mais distantes” é outra característica apontada pelo vigário geral, sem esquecer os “mais desfavorecidos e pobres no conhecimento das coisas de Deus”. A “persistência” do bispo emérito de Beja é outra faceta divulgada pelo padre António Domingos Pereira, que é vigário-geral desta diocese desde o ano 2000.

 

O sacerdote falou de um “pastor simples”, que se sentia bem “no meio do povo”, algo que cativou “muita gente”. Uma “presença amiga, discreta e simples” é a imagem que D. António Vitalino deixa na Diocese de Beja, frisou o vigário-geral.

D. João Marcos sucedeu no último dia 3 de novembro a D. António Vitalino como bispo da Diocese de Beja, após o Papa ter aceitado a renúncia deste último, que completou 75 anos de idade. O novo bispo de Beja tinha sido nomeado por Francisco como coadjutor da diocese alentejana a 10 de outubro de 2014, com direito de sucessão.


Novo bispo já se sente «alentejano»

D. João Marcos presidiu ao encerramento da porta jubilar da misericórdia

D. João Marcos disse à Agência ECCLESIA que se sentiu “acolhido de forma calorosa” na primeira celebração, como bispo diocesano de Beja, este domingo, na Sé, que coincidiu com o encerramento da porta jubilar da misericórdia e com a despedida de D. António Vitalino. Os praticantes no Alentejo “não são muitos, mas são calorosos” e são “pessoas provadas” porque o “meio é adverso”, sublinhou D. João Marcos. O bispo atual sente-se “bem acolhido” naquilo que diz e “nos gestos” que tem, e considera que os cristãos de Beja o “fortalecem” e sustentam”.

Em relação ao legado que seu antecessor deixa, D. João Marcos sublinha que D. António Vitalino era “muito acarinhado” na diocese e, na homenagem de despedida, este domingo, “não houve nenhuma paróquia que não quisesse participar na prenda oferecida”.


“Ele deixa a fasquia muito alta” porque “teve uma dedicação sem limites” e “uma capacidade de trabalho impressionante”, afirmou D. João Marcos. O bispo de Beja trabalhou, durante dois anos, como coadjutor de D. António Vitalino e considera que este período “foi uma escola ótima”.

Nascido na região da Beira, D. João Marcos já se “sente alentejano com os alentejanos” porque “as pessoas quando se sentem amadas correspondem”. O responsável adianta que não tem problemas em “entrar num café ou numa taberna” para falar com as pessoas e recorda que, quando “estava no Milharado [Diocese de Lisboa, ndr]”, batizou “dezenas e dezenas de jovens” e “que os encontrava nos bailes”. As pessoas “não iam à Igreja”, mas “a Igreja ia ao encontro deles até eles”, disse.

A experiência que teve “com os saloios [região de Lisboa, ndr]” vai ajudá-lo e “preparou-o para dialogar com os alentejanos que, tradicionalmente, defendem muito a sua intimidade”, salientou D. João Marcos. “Já deu para ver que os alentejanos quando se abrem é para sempre”, refere. Ao falar das linhas de força ou diretivas para a Diocese de Beja, D. João Marcos sublinha que, no tempo atual, “mais do que remedar a Igreja é necessário refundar a Igreja”. “É necessário pegar nos restos que temos e anunciar o Evangelho”, realçou.


Beja, 14 nov 2016 (Ecclesia)