terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Homens do diálogo


A Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta

“O trabalho começa hoje e não acaba nunca”. A afirmação é do Papa Paulo VI e compõe o penúltimo parágrafo da primeira encíclica do seu pontificado. Paulo VI falava do diálogo – teria de ser – e da prática que encontra tanto no “interior da Igreja” como com os de fora. Isso é sinal de que “a Igreja está hoje mais do que nunca viva”. “Mas – continua de imediato -, reparando bem, parece que tudo está ainda por fazer”.

Na Ecclesiam Suam, Paulo VI escreve 65 vezes a palavra diálogo. O documento é programático e de um pontificado que dava continuidade aos trabalhos do Concílio Vaticano II e teria de os fazer chegar à universalidade da Igreja. O Papa Montini reserva metade do texto, a segunda, para falar de diálogo. Antes, de outras duas atitudes que propõe para a Igreja Católica: consciência, renovação.

Na década de sessenta, e nos dias de hoje, o diálogo “com tudo o que é humano” é o horizonte. Paulo VI assume “de bom grado” essa “primeira universalidade”: “a vida, com todos os seus dons e problemas”. Depois, na definição de “círculos concêntricos” onde a Igreja Católica é chamada a estar em diálogo, refere os “crentes em Deus”; num terceiro círculo, o “mundo que se intitula cristão”. O Papa fala depois no diálogo dentro da Igreja, um “diálogo doméstico”, que deseja “familiar e intenso”.

O programa não é de há 50 anos. É dos dias de hoje. A comprová-lo, acontecimentos e sobretudo histórias de vida. Entre os acontecimentos, dois exemplos: a participação ativa e criativa de pessoas e instituições da Igreja Católica em iniciativas como Braga Capital Europeia da Juventude ou Guimarães Capital Europeia da Cultura.

Entre as vidas, sobressai a notoriedade de algumas. Sobretudo quando correspondem não a comportamentos ocasionais, antes a uma atitude permanente. É o caso de D. Manuel Franco Falcão.

Despedirmo-nos deste homem exige sobretudo dizer-lhe obrigado! Ao longo dos seus 89 anos, na universidade, no sacerdócio, no ministério episcopal viveu a urgência do diálogo. E dialogou; lançou-se ao encontro do outro, nos mesmos círculos concêntricos propostos pelo Papa Paulo VI.
Na História da Igreja em Portugal, D. Manuel Franco Falcão deixa capítulos inovadores sobre sociologia da religião, sobre diálogo da e na Igreja, sobre preservação e fruição do património. Deixa também largos passos dados na valorização dos meios de comunicação social. Concretamente, a Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta. Por isso e por tudo, obrigado! Sobretudo por sempre ter valorizado essa fronteira do diálogo, onde a Igreja é chamada a estar cada vez com mais intensidade, o mundo dos media.

Paulo Rocha

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Proposta de percurso para a Quaresma 2012



Páscoa. Passagem. Desenvolvimento. Três palavras que indicam mudança. Três conceitos, expressões ou sentimentos que impelem a avançar na procura de um mundo novo com condições de vida humana e dignas de qualquer ser humano, esteja ele onde estiver. A FEC - Fundação Fé e Cooperação apresenta para este período da Quaresma um itinerário para a sua vivência como tempo de reflexão forte, não apenas no domínio pessoal mas em sociedade. Trata-se de uma proposta de ousadia, como não podia deixar de ser, não fora este o tempo da confiança.


Quaresma significa caminho de transformação, preparando a Páscoa, que significa passagem da morte à vida, da escravidão à liberdade. Viver a Quaresma e celebrar a Páscoa pretende ser e deve ser uma experiência de transformação que implica os cristãos na construção do Reino. Nesta Quaresma, a FEC volta a propor que este percurso de fé, seja transposto para o Desenvolvimento. Porque na realidade, os dois percursos não devem ser distintos, devem estar entrelaçados e alimentarem-se mutuamente. O desenvolvimento é a passagem de condições menos humanas a condições mais humanas (Encíclica Populorum Progressio).

Para além da sua acção na área da Cooperação para o Desenvolvimento, a FEC deseja promover espaços de reflexão sobre o desenvolvimento humano e sustentável e promoção da justiça global. Através da Rede Fé e Desenvolvimento, pretende promover este processo no seio da própria Igreja, repensando-se a si própria em diálogo com a sociedade.

Mais do que sugerir propostas de acção para esta Quaresma, quisemos catalisar um tempo de reflexão forte na vida de cada um e na vida em sociedade, neste momento difícil que atravessamos. As bases de partida para esta reflexão são as leituras próprias da liturgia de Quaresma e Pascoa, sobre as quais apresentamos duas propostas: 1/ Reflexões “Eis o Tempo Favorável” e 2/ Via-sacra. Com base na liturgia proposta para a Quaresma e Páscoa este itinerário é uma meditação a partir de diferentes perspectivas – Olhares cruzados diante da cruz e da ressurreição.

1/ A proposta “Eis o Tempo Favorável” é um percurso em oito etapas - 4ª feira de cinzas, seis domingos da Quaresma e domingo de Páscoa. Para cada etapa sugere-se uma dimensão do Desenvolvimento e um olhar a partir de um sector concreto da sociedade, fazendo reflexo da própria Encíclica Caridade na Verdade, em que o Papa Bento XVI aborda a Crise actual e o Desenvolvimento Humano Integral complementando estas diferentes perspectivas. Tivemos o privilégio e a oportunidade de cruzar a riqueza de diversos olhares e experiências de diferentes personalidades da sociedade portuguesa e também desde a Guiné Bissau e Angola, países em que a FEC trabalha.

Oito etapas percorridas com a ajuda de pessoas tão diferentes e que aceitaram responder ao desafio da FEC. Depois de D. José Policarpo, que em Quarta-feira de Cinzas, apresentou o olhar da Igreja Católica sobre o tempo Quaresmal, seguem-se nomes como: Pedro Rocha e Melo, vice-presidente da Brisa e membro da Associação Cristã de Empresários e Gestores; Maria Raquel Freire, professora de Política Internacional da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenação do Território, Pe. José Tolentino Mendonça, o jornalista do Público António Marujo, Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas, Pe. Manuel Augusto Ferreira mccj, Ir. Marlene Wildner, Ir. Esperanza Ospina, Nuno Macedo, Américo Mendes, Maria Raquel Freire, Rita Cortez aci, José Frazão sj.

2/ A Via Sacra do Desenvolvimento foi construída com a colaboração de várias organizações e Movimentos: Fundação Gonçalo da Silveira, Leigos para o Desenvolvimento, Procuradoria das Missões Claretianas, Escravas do Sagrado Coração de Jesus, Rosto Solidário, Equipa d’África, FEC Angola e FEC Guiné Bissau.

Contextualizar o momento que o país e mundo atravessam à luz da História da Salvação, integrando Cristianismo e Cidadania e dar, ao mesmo tempo, instrumentos para uma acção cristã mais reflectida são as razões que levam a FEC a apresentar este caderno de esperança. Diferentes olhares pascais que dão origem a uma “Parábola do Desenvolvimento” que se espera ser capaz de iluminar corações.

O desafio que se deixa é que cada um continue este exercício: de aproveitar este tempo forte de Quaresma para parar e avaliar de que forma a sua vida e a sua realidade estão a ser/ devem ser lugares de Páscoa e Desenvolvimento.
Boa Quaresma!
Clique aqui  para consultar a proposta.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Faleceu D. Manuel Falcão, Bispo emérito de Beja


Com sentimentos de amizade e solidariedade cristã comunico que na noite de 20 para 21 de Fevereiro adormeceu no Senhor, na casa episcopal de Beja, na sua cama, o nosso querido D. Manuel Franco de Oliveira Falcão. O seu corpo será velado na sé de Beja, a partir do fim da manhã deste dia 21, às 18,30 horas haverá celebração da Eucaristia, às 21,00 horas Eucaristia com o Ofício de Leituras e amanhã, dia 22, pelas 10,30 horas, solenes exéquias na Sé Catedral, seguindo-se o cortejo para o cemitério de Beja, onde será depositada a urna no jazigo dos bispos de Beja.
Confiando-o à sua oração e, caso lhe seja possível, a participação em algum dos momentos de oração comunitária junto à urna,
Subscrevo-me com amizade
† António Vitalino, bispo de Beja



D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão
Biografia

Nasceu na Freguesia de S. Mamede, Lisboa, em 10 de Novembro de 1922, filho de Manuel da Costa Falcão e de Maria Firmina Falcão. Após ter completado os estudos primários e secundários, tirou o Curso de Engenharia Mecânica do I.S.T. e entrou no Seminário dos Olivais em 1945.
Foi ordenado sacerdote a 29 de Junho de 1951 pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Devido á sua grande cultura e poder de organização, tornou-se perito no âmbito da sociologia religiosa, e estudou a remodelação paroquial da cidade de Lisboa, organizou o Secretariado das novas Igrejas e presidiu à Comissão preparatória da reestruturação pastoral do Patriarcado de Lisboa.

Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa
A 16 de Dezembro de 1966 é nomeado Bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, sendo ordenado Bispo em 22 de Janeiro de 1967, por D. Manuel Gonçalves Cerejeira. e tendo como co-sagrantes o Arcebispo D. António de Castro Xavier Monteiro, (Bispo de Lamego) e D. António de Campos, (Bispo Auxiliar de Lisboa).

Bispo de Beja
Por nomeação Pontifícia de Paulo VI, a 27 de Novembro de 1974 é nomeado Bispo Coadjutor com direito de sucessão de D. Manuel dos Santos Rocha, tomando posse a 22 de Janeiro de 1975. À resignação do Arcebispo-Bispo D. Manuel dos Santos Rocha, por limite de idade, a 8 de Setembro de 1980, D. Manuel Falcão passou a Bispo Residencial.

A entrada solene na Sé de Beja fez-se no dia 1 de Outubro, escolhido por ser início do ano pastoral e memória litúrgica da padroeira das Missões, Santa Teresa do Menino Jesus.
Na continuidade da acção anterior, impulsionou a evangelização da Diocese, especialmente por meio de missões populares de 15 dias, seguidas de visita pastoral às paróquias quanto possível de cinco em cinco anos. Um dos frutos destas missões foi a constituição de numerosas pequenas comunidades eclesiais de oração e catequese.
A sua acção foi caracterizada pela aplicação dos princípios científicos da Sociologia religiosa aos Planos e Programas de acção pastoral, ao mesmo tempo que prestou grandes serviços á Conferência Episcopal Portuguesa. Estabeleceu um diálogo crítico e objectivo com a sociedade, o que provocou respeito e admiração pela sua pessoa.
Em 1984 criou o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHA) com a finalidade de dar a conhecer e proteger o património artístico e religioso da Diocese.

O Papa João Paulo II aceitou a sua resignação a 25 de Janeiro de 1999, ficando como Administrador Apostólico da Diocese até à tomada de posse de seu sucessor D. António Vitalino Fernandes Dantas, no dia 11 de Abril do mesmo ano.
Continuou a residir no Paço Episcopal de Beja, onde faleceu a 21 de Fevereiro de 2012.

Recolha SDMBeja