sábado, 26 de novembro de 2011

Maria, Modelo dos que esperam a vinda do Senhor

Maria pertencia àquela parte do povo de Israel que na época de Jesus esperava com todo o coração a vinda do salvador.
Pelas palavras, pelos gestos narrados no Evangelho, podemos ver como realmente Ela vivia imersa nas palavras dos Profetas, estava inteiramente à espera da vinda do Senhor. Contudo, não podia imaginar como teria sido realizada esta vinda.


Talvez esperasse uma vinda na glória. Muito surpreendente foi para ela o momento em que o Arcanjo Gabriel entrou na sua casa e lhe disse que o Senhor, o Salvador, queria encarnar-se no seu ventre, por ela e através dela, queria realizar a sua vinda. Podemos imaginar a trepidação da Virgem Maria com um grande acto de fé, de obediência, diz sim: "Eis a escrava do Senhor". E assim, tornou-se "morada" do Senhor, verdadeiro "templo" no mundo e "porta" através da qual o Senhor entrou na terra.

Para esta vinda de Cristo, hoje, que poderíamos chamar "encarnação espiritual", o arquétipo é sempre Maria. Como a Virgem Maria conservou no seu coração o Verbo que se fez carne, assim cada alma e toda a Igreja são chamadas, na sua peregrinação terrena, a esperar Cristo que vem e a acolhê-lo com fé e amor sempre renovados.

Ó Maria,
Virgem da expectativa e Mãe da esperança,
reaviva em toda a Igreja o espírito do Advento,
para que a humanidade inteira
volte a pôr-se a caminho rumo a Belém,
onde veio e onde virá de novo para nos visitar o Sol que nasce do alto (cf. Lc 1, 78),
Cristo nosso Deus.
Amém.

Bento XVI

sábado, 19 de novembro de 2011

D. António Couto é o novo bispo de Lamego


Bento XVI nomeou como novo bispo de Lamego D. António Couto, até agora auxiliar de Braga, revelou a Nunciatura Apostólica [embaixada da Santa Sé] em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
O prelado, de 59 anos, substitui no cargo D. Jacinto Botelho, bispo de Lamego desde o ano 2000, que apresentara a sua renúncia ao Papa por ter atingido o limite de idade imposto pelo direito canónico (75 anos), em 2010.
“Saúdo e abraço a bela, antiga e ilustre Diocese de Lamego, todos os filhos e filhas de Deus que nela levantam as mãos e o coração para Deus, desde os mais pequeninos até aos mais idosos, todos e todas as comunidades e paróquias, com os/as seus/suas catequistas, cantores, acólitos, leitores, zeladoras, confrarias, movimentos, ministros da comunhão, animadores da caridade, seminaristas, institutos religiosos e seculares, diáconos, presbíteros, serviços e secretariados, colégio de consultores e cabido da Sé Catedral, e o meu querido amigo e irmão no episcopado, D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, a quem saúdo com particular afecto”, assinala o novo bispo, na mensagem que endereçou à diocese.
D. António Couto vai marcar presença, este domingo, na celebração do Dia da Igreja Diocesana, em Lamego.
O prelado deixa uma palavra de “afecto e gratidão” à diocese de Braga, em particular ao arcebispo D. Jorge Ortiga e a D. Manuel Linda, bispo auxiliar.
D. António José da Rocha Couto nasceu a 18 de Abril de 1952 em Vila Boa do Bispo, concelho de Marco de Canaveses, distrito e diocese do Porto.
A 2 de Outubro de 1963 entrou no Seminário de Tomar, da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova, na qual foi ordenado padre, em 1980.
Em Roma, na Pontifícia Universidade Urbaniana, obteve a licenciatura canónica em Teologia Bíblica, em 1986, e em 1989 o respectivo doutoramento, depois da permanência de cerca de um ano em Jerusalém, no ‘Studium Biblicum Franciscanum’.
No ano lectivo de 1989-1990 foi professor de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Luanda, antes de regressar a Portugal, onde é professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
O novo bispo de Lamego foi reitor do Seminário do Seminário da Boa Nova, de Valadares, de 1996 a 2002, ano em que foi eleito Superior Geral Sociedade Missionária da Boa Nova.
D. António Couto ocupou este cargo até à data da sua ordenação episcopal, em 23 de Setembro de 2007, após ter sido nomeado, por Bento XVI, bispo auxiliar de Braga.
Membro da Congregação para a Evangelização dos Povos desde 2004, o prelado é presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.
O bispo de Lamego é também colaborador regular do Programa ECCLESIA (RTP2), da Igreja Católica, desde 2003, na sua qualidade de biblista.
Com uma população de 144 mil pessoas e mais de 143 mil católicos, a diocese de Lamego, no distrito de Viseu, conta com mais de 220 paróquias e tem uma história que remonta ao século VI.

In Ecclesia, 19N0v2011 OC

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carta de Mértola



“Deixa a tua terra...”

“Deixa a tua terra, a tua família, a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar”. Lemos estas palavras, no capítulo doze do Livro do Génesis.
Também deixei!... Também parti para uma terra que desconhecia, depois de um ano sabático turbulento quanto à saúde. Por Deus e com os cuidados humanos, retomei a caminhada na estrada da vida e do serviço dos irmãos.


Cheguei a Mértola na última tarde de Setembro. O sol ainda queimava. Baforento, silencioso, lavado e airoso, foi-se despedindo de nós, lá longe, na planura ondulada deste
Baixo Alentejo. A Vila, bem encrustada e alcandorada na rocha, continua a ser beijada pelo rio Guadiana, navegável até à foz.
Neste promontório basáltico e xistoso, formado há milhões de anos, moraram quatro civilizações, desde a Idade do Ferro até aos nossos dias!
Lida a “provisão” do senhor Bispo de Beja, na Eucaristia do domingo, dia 2 de Outubro, tomei posse das dez paróquias dispersas pelo concelho de Mértola. O número de fiéis pouco ultrapassava a centena. Não houve pompa nem multidão. Houve simplicidade, oração, palmas e circunstância. Esta nova missão pesa sobre mim e o meu colega, já mais conhecedor da realidade.
Neste concelho com 1.279 quilómetros quadrados, vivem 7.200 pessoas, segundo o censo de 2011, espalhadas por freguesias-paróquias, serros e serrinhas (montes e colinas). E vou pensando: A Vila da Caranguejeira, com 28 quilómetros quadrados, tem quase esta população!
Em Angola, na minha primeira missão, com 28 mil quilómetros quadrados, a população rondava este mesmo total!... Em 1969!
Tradicionalmente, todos são baptizados.
A prática religiosa como em tantas outras terras mais privilegiadas, fica um pouco distante do baptistério e da porta principal da igreja!...

Por onde começar? Para já, ver, estudar, conhecer e seguir as pegadas dos meus antecessores, que, animados pela coragem e dedicação, deixaram sinais positivos de evangelização e zelo pela conservação da casa de Deus - igrejas e capelas. Falo de templos construídos em 1758, 1791 e por aí adiante... No seu interior albergam pinturas em madeira e tela, colunas, capitéis, altares e imagens, tão antigas como a casa onde moram.
Encontrei um povo bom, acolhedor, generoso e com coração de carne, embora envelhecido.
Há catequistas, leitores, cantores, comissão para os assuntos económicos e muito bom voluntariado, sobretudo na Vila. Nas aldeias, embora dispersas e distantes, além do cemitério, há a pequena casa mortuária, propriedade da Junta de freguesia, saneamento, água ao domicílio, telefone, electricidade e internet; escolas primárias, umas abertas e outras fechadas, por falta de crianças; as ruas e largos têm piso asfaltado e com paralelos.
Podemos afirmar que, neste concelho, há boa qualidade de vida. Não há poluição sonora, nem fabril nem pressa. A limpeza é visível. A brancura das casas, também. O ar é puro. O horizonte é vasto, variado e rico. Aqui, todos nos damos os bons dias, boas tardes e boas noites, conhecidos ou desconhecidos.
Não há superfícies comerciais. Só o comércio a retalho. Isto é qualidade de vida!... As ligações rodoviárias, embora estreitas estão bem conservadas, asfaltadas e sinalizadas. Porque o trânsito é pouco, conseguimos palmilhar muitos quilómetros em pouco tempo.
A nível de pastoral, temos dois obstáculos a ultrapassar e a concretizar: Novo espaço para o culto e nova residência paroquial.

As celebrações fazem-se na antiga mesquita que, no século XII, se tornou espaço cristão. A residência, situada na parte histórica da Vila, não é de fácil acesso. A igreja matriz está em área arqueológica e turística, junto do castelo! Aqui residem os mortos!
Hoje, os vivos moram na parte nova da Vila, onde os romanos enterravam os seus mortos! Para sermos sinal e fermento, devemos estar onde está a massa humana!
Ou será que isto é mero sonho de quem chega de novo?
Pensando que a Vila, sobretudo a parte nova, é, hoje, o centro jurídico, comercial, escolar, médico, bancário, policial, feireiro, lúdico...também aqui, a igreja templo tem o seu papel de sinal, apelo, silêncio formação e celebração. É tempo de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Pelo sonho é que vamos!... Aqui também há muitas sementes de fé, cobertas pela cinza do tempo! Que o Senhor da messe nos dê o discernimento necessário, para sabermos soprar sobre estas cinzas. Assim as brasas aceitem!....

João Mónico, Missionário Espiritano
(in Notícias de Beja)