sexta-feira, 5 de agosto de 2016

GRUPO ONDJOYETU

O envio missionário da equipa que irá assegurar, a partir do próximo sábado, 6 de Agosto, a missão anual de 10 dias no Alentejo realizou-se no passado domingo, dia 24 de julho, no Mosteiro de Santa Clara e do Santíssimo Sacramento, das Irmãs Clarissas do Desagravo, em Monte Real.  
Depois de vários encontros de preparação para a missão, a equipa viveu um dia de retiro, que culminou na eucaristia presidida pelo padre Vítor Mira e concelebrada pelo padre António Bento.
"Um agradecimento muito especial às Irmãs Clarissas de Monte Real pelo carinho que dedicaram a toda a equipa neste dia de retiro e reflexão em sua casa. Um muito obrigado ao Sr. Padre Bento, que fez a colocação das cruzes aos enviados em missão. O Sr. Padre Vítor Mira foi o celebrante e, muito oportuno, falou-nos da missão e oração, da confiança no Senhor e do valor de tudo o que fazemos para a Sua glória." (Tio Serra)

A exemplo dos últimos anos, no dia 6 de Agosto o Grupo Ondjoyetu rumará a Santo André (Aldeia), em Santiago do Cacém. A Equipa Missionária é composta pelo Pe. Vítor Mira, a Ir. Susana, a Teresa Silva, a Lúcia Ferreira, o António Canhoto e o Diamantino, aos quais se juntarão mais tarde a Maria do Rosário, o José Marrazes e a Avó Libânia.
Rezemos por estes nossos irmãos que prontamente responderam "sim" ao chamamento de Deus. BOA MISSÃO!



Estamos juntos!

“Se fores aquilo que Deus quer, colocarás fogo no mundo”.
(Santa Catarina de Sena)
Grupo Ondjoyetu

Leiria/Fátima

terça-feira, 12 de julho de 2016

Abraão, Marta, Maria…

1 -Entre. Quem é? Assim se respondia habitualmente, em algumas regiões de Portugal, quando alguém batia à porta. A confiança era a base do relacionamento entre as pessoas. De tempos a tempos havia uma exceção à regra mas, como norma, o outro era bem recebido. Ainda hoje os estrangeiros se surpreendem com a hospitalidade simpática e quase espontânea dos portugueses. Muita coisa está mudando entretanto, e vai-se dissipando essa cultura da confiança mútua e da hospitalidade. À medida que Deus desaparece da vida das pessoas, o outro começa a ser visto não como graça mas como ameaça, como uma eventual fonte de problemasCada vez mais se experimenta que, como escreveu Sartre, o inferno são os outros, e o medo leva as pessoas a fecharem-se na desconfiança e no silêncio e a olharem os estranhos, sem serem vistas, pelo buraco da fechadura.



A 1ª leitura do próximo domingo apresenta-nos a hospitalidade de Abraão. Naqueles três caminhantes desconhecidos que se aproximaram da sua tenda, Abraão reconheceu a presença de Deus e deu-lhes hospitalidade. Dessa sua abertura àqueles estranhos resultou que se tornou amigo e confidente de Deus e Sara sua esposa recebeu o dom da fecundidade. Sublinhemos estas três palavras: hospitalidade, amizade, fecundidade. A hospitalidade de Abraão é uma das mais belas imagens que prefiguram o mistério da Igreja: Deus vem ao encontro do homem e o homem recebe Deus que lhe dá acesso à Sua intimidade. A Igreja é este espaço onde Deus e o homem se acolhem mutuamente. Segundo o esquema básico de todas as religiões,Deus vive no Céu e o homem na terra. E é tão grande a distância entre eles que seria impensável encontrarem-se na vida presente, pois o homem ficaria esmagado pela glória divina. Mas a grande surpresa que deu origem ao Cristianismo é que o próprio Deus quer viver com os homens neste mundo para que estes se habituem e se preparem para viver com Ele eternamente no Céu. E encontrou maneira de a realizar.


2 - Lemos no Prólogo do Evangelho segundo S. João que o Verbo de Deus se fez carne e veio ao nosso encontro, veio ao que era seu e os seus não O receberam, mas àqueles que O receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo.1, 11-12). Muitos não O receberam e vivem sem Cristo. Nós, que nos dizemos cristãos, como O recebemos? Esta é a pergunta que nos faz o Evangelho deste domingo ao pôr diante de nós as irmãs Marta e Maria que, vivendo na mesma casa, O receberam diferentemente. (Lc10 38-42) Maria encontrou em Jesus a melhor parte, o único necessário, o Reino de Deus, o Mestre que tem palavras de vida eterna e, perante Ele, tudo o mais foi relegado a segundo plano. Marta, pelo contrário, inquieta e preocupada com muitas coisas, atarefava-se com muito serviço. Por amor do Senhor se atarefava, pensava ela e nós também, mas não saboreava a maravilha da Sua presença.

Marta e Maria são no Evangelho, simbolicamente, o mesmo que as duas esposas de Jacob, Lia e Raquel, no Antigo Testamento. Marta e Lia significam a vida ativa; Raquel e Maria, a vida contemplativa. Mas há uma diferença substancial: Jacob apenas recebe a sua amada Raquel depois de suportar Lia durante sete anos: primeiro Lia, e depois, como prémio, Raquel. No Novo Testamento, com Deus feito homem no meio de nós, é ao invés: primeiro Maria e Marta depois. É Maria que torna fecunda a atividade de Marta. É a partir da amizade com Cristo e como consequência de termos experimentado o seu amor que nos pomos ao Seu serviço. O que era visto como ponto de chegada na Antiga Aliança é o ponto de partida na vida cristã.

3 - A contemplação e a ação, doseadas certamente de muitas e variadas maneiras, fazem parte da vida de qualquer cristão. Imitadores de Jesus que diariamente mergulhava na fonte viva do amor do Pai para depois anunciar aos homens o Reino de Deus por palavras e obras poderosas, nós não podemos separar, no concreto da nossa vida, o que significam estas duas irmãs. Nem Maria sem Marta nem Marta sem Maria! Maria sem Marta pode fechar-nos num pietismo intimista em que a preguiça, a soberba e a luxúria espiritual nos dão a ilusão de irmos adiantados no caminho da perfeição. Marta sem Maria é esse ativismo vaidoso e estéril, hoje tão divulgado, que nos projeta para fora, para a superficialidade e para uma vida espetacular, a fim de mostrarmos as grandes coisas de que somos capazes, contando apenas connosco mesmos. E isto, quase sempre, sob a capa de uma falsa caridade que em nós começa e em nós acaba.

Hoje, neste mundo que é o nosso, se precisamos de ter discernimento em relação à passividade de Maria precisamos sobretudo de não embarcar no pragmatismo, na agitação e na dispersão de Marta; há neste mundo realidades bem mais importantes que o trabalho e o dinheiro! Não podemos resignar-nos a que as coisas urgentes atropelem o único necessário e nos privem da intimidade com o Senhor que é a nossa herança. Com Maria busquemos primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais nos será dado por acréscimo (cf. Mt. 6,33). Se, desprezando Maria, damos razão a Marta e fazemos do trabalho uma idolatria pensando que por acréscimo virá o Reino de Deus, reduzimos a nossa vida a uma corrida atrás do vento e a uma soma de desilusões.

Em suma: que espécie de discípulos somos nós? Como recebemos Jesus? Recebemo-l’O como Marta que permanece no centro de tudo e quer instrumentalizá-l’O, recebemo-l’O para que nos fique muito obrigado e nos dê razão, para Lhe podermos dar ordens e para que Ele nos ajude a atingir os nossos objetivos, ou recebemo-l’O como Maria, imagem do verdadeiro discípulo, reconhecendo n’Ele o Senhor, recebemo-l’O para O escutarmos e Lhe obedecermos e para nos pormos ao seu serviço? 


- S. Bento resumiu em duas palavras a sua Regra que deu uma estrutura espiritual e moral à Europa: ora et labora (reza e trabalha). Assim, por esta ordem. Aconteceu porém que, substituindo Cristo por um ideal de homem posto idolatricamente no centro do universo como medida de todas as coisas, esta civilização desprezou a oração e a relação com Deus para exaltar o trabalho. Expulsou Maria e a vida espiritual e explora ao máximo a pobre e desalmada Marta para que dê lucro, coisas, bens materiais, mas que perdeu o único necessário. Divorciada de Cristo que a dignificou como ninguém e seduzida pelo mundo que a engana e manipula para servir o dinheiro e o lucro, esta Marta sem Cristo e sem Maria está agora ao serviço do neopaganismo que cresce rapidamente nesta civilização e também dentro da Igreja, como joio no meio do trigo. Cuidado com ela que vive submetida à vaidade e precisa de ser libertada da servidão da corrupção (Rm8,20-21)!

O Senhor está cá e chama-te! (Jo.11,28) Este recado da Marta do Evangelho a sua irmã é hoje para ti, caro leitor. Abre as portas do teu coração ao Senhor que te chama e recebe-O com alegria. Saboreia a maravilha do seu amor, e tudo o mais te virá por acréscimo!

XVI Domingo do Tempo Comum

+ J. Marcos

Bispo coadjutor de Beja

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Padre Tomaž Mavrič: novo sucessor de São Vicente
Na sala magna, reunidos os 113 delegados, sustentados pela comunhão espiritual de tantos irmãos e irmãs espalhados pelo mundo, foi invocado o Espírito Santo e procedeu-se à eleição do novo sucessor de São Vicente para os próximos seis anos. Depois do terceiro escrutínio, a Assembleia Geral acolheu a novidade do Espírito na pessoa do Padre Tomaž Mavrič, atual Vice-Visitador da Vice-Província de São Cirilo e São Metódio, que compreende três países Ucrânia, Rússia e Bielorrússia.
O que sabemos a respeito de sua trajetória é ainda muito pouco. Nasceu no dia 9 de maio de 1959, em Buenos Aires (Argentina), filho de migrantes eslovenos. Foi admitido à Congregação da Missão a 11 de dezembro de 1976, emitiu os Votos Perpétuos no dia 8 de abril de 1982 e foi ordenado presbítero em 29 de junho de 1983. Tendo passado por vários países (Canadá, Eslovénia, Rússia, Irlanda, Eslováquia e Ucrânia, onde residia até agora), possui ampla experiência ministerial: missão entre os pobres, pastoral paroquial, orientação de retiros, animação vocacional, formação do clero, governo provincial, etc. Conhece várias línguas: espanhol, russo, inglês e esloveno.
Agora, o Padre Mavrič é 25º Superior Geral da Congregação da Missão (CM) e da Companhia das Filhas da Caridade (FC), legitimamente escolhido na 42ª Assembleia. O novo sucessor de São Vicente de Paulo, foi acolhido por todos os presentes com espírito de fé e de gratidão sincera. Depois da imposição das mãos e da instalação neste Serviço, os Assembleístas, num abraço fraterno, prestaram obediência e ofereceram a sua colaboração, assegurando ao P. Tomaž Mavrič a sua proximidade espiritual.
Entretanto, a Assembleia Geral que começou a 27 de Junho e se prolonga até 15 de Julho, vai fazer a escolha do Conselho Geral e continua a reflexão tendo como tema: ‘400 anos de fidelidade ao seu carisma e à Nova Evangelização’.
5 de Julho de 2016 – Chicago - EUA.
P. Agostinho Sousa, CM