sábado, 14 de maio de 2016

SOLENIDADE DO PENTECOSTES

“Espírito Santo, protagonista da evangelização”

Logo que o Espírito desceu sobre os Apóstolos, no dia de Pentecostes, "puseram-se a falar noutras línguas, segundo o Espírito lhes concedia expressarem-se" (Act 2,4). Assim, pode dizer-se que a Igreja, no próprio momento em que nasce, recebe, como dom do Espírito, a capacidade de anunciar as "maravilhas de Deus" (Act 2, 11): é o dom de evangelizar.

Este facto implica e revela uma lei fundamental da história da salvação: não se pode nem evangelizar, nem profetizar, numa palavra, não se pode falar do Senhor e em nome do Senhor, sem a graça e a força do Espírito Santo. Servindo-nos de uma analogia biológica, poderíamos dizer que, assim como a palavra humana se difunde pelo sopro humano, assim também a Palavra de Deus se transmite pelo sopro de Deus, do seu ruah ou pneuma, que é o Espírito Santo.


Este vínculo entre o Espírito de Deus e a palavra divina já se pode perceber na experiência dos antigos profetas. Em Jesus, o vínculo Espírito-Palavra atinge o auge. Com efeito, Ele é a própria palavra feita carne "por obra do Espírito Santo". Começa a pregar por "força do Espírito" (Lc 4,14). Em Nazaré na sua pregação inaugural, aplica a si próprio a passagem de Isaías: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar aos pobres a boa nova" (Lc 4,18). Como sublinha o quarto evangelho, a missão de Jesus, "aquele a quem Deus enviou" e "fala as palavras de Deus", é fruto do dom do Espírito que recebeu "sem medida" (Jo 3,34). Ao aparecer aos seus no Cenáculo, na tarde da Páscoa, Jesus realiza o gesto tão expressivo de soprar sobre eles, dizendo "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20,22)

Sob esse sopro desenvolve-se a vida da Igreja. "O Espírito Santo é na verdade o protagonista de toda a missão eclesial" (Carta Encíclica Redemptoris Missio, 21). A Igreja anuncia o Evangelho graças à sua presença e à sua força salvífica. Ao dirigir-se aos cristãos de Tessalónica, S Paulo afirma: "Foi-vos anunciado o Evangelho não só com palavras mas também com poder e com o Espírito Santo" (1Tes 1,5). S. Pedro define os apóstolos como "os que pregam o Evangelho, no Espírito Santo" (1Ped 1,2).
 
Mas o que significa "evangelizar no Espírito Santo"? Resumidamente pode dizer-se que significa evangelizar com a força, com a novidade e na unidade do Espírito Santo. Evangelizar com o Espírito Santo, quer dizer: estar revestidos da força que se manifestou, de um modo supremo, na actividade evangélica de Jesus. O Evangelho diz-nos que os que o ouviam, se espantavam, porque "ensinava como quem tinha autoridade, e não como os escribas" (Mc 1,22).


Catequese do Papa S. João Paulo II

domingo, 8 de maio de 2016


Santa Luísa de Marillac

- 09 de Maio –

Fundadora, com São Vicente de Paulo, da Companhia das Filhas da Caridade. Nasceu em Agosto de 1591. A Sua festa celebrou-se até ao último ano a 15 de Março de 1660, dia da sua morte.

Há algum tempo atrás, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos pediu para se rever o calendário litúrgico da Congregação. Como a festa de Santa Luísa de Marillac sempre acontecia na Quaresma, sugeriu-se rever a data. Assim, acordou-se passar para o dia 9 de maio, aniversário da beatificação de Santa Luísa. Também foi pedido que a sua festa integrasse  o calendário universal da Igreja. Isto por agora não foi ainda tido em conta.

Foi canonizada a 11 de Março de 1934. Sua Santidade o Papa João XXIII proclamou-a Patrona das Obras de Justiça Social a 15 de Março de 1960.

Jovem de fé e de grandes aspirações:
Luísa foi uma jovem de grande sensibilidade, marcada por experiências profundas, e dolorosas, desde o seu nascimento. Foi educada como pensionista, primeiro num sumptuoso convento e depois numa modesta pensão de bairro. Não conheceu a mãe. Durante os seus anos de formação aproveitou ao máximo para cultivar os seus talentos artísticos e suas qualidades de uma sensível feminilidade: pintura, composição, lavores, trabalhos domésticos...

Foi uma jovem que se sentiu fortemente atraída para Deus. A sua família, de nobre linhagem, é também gente de fé e caridade. Inclinada à entrega total na vida religiosa, não pode realizar as suas aspirações por causa de sua débil saúde, mas sabe descobrir através da oração e da consulta com o seu Confessor, que Deus tem outros desígnios sobre ela.

Esposa e mãe exemplar:
Luísa chegou ao matrimónio convencida de que esse era o caminho que Deus queria para ela. Depois de um ano de casada experimenta a alegria de ter um filho, o pequeno Miguel António, que enche de alegria o lar.
Aqui no seu lar, Luísa dá largas às suas qualidades femininas: 

- Ternura e capacidade de sacrifício. Ama ternamente o seu filho, e cuida com grande delicadeza a seu marido, que não tem muita saúde.
- Paciência e bondade. Sabe descobrir o lado bom das saídas de carácter do seu marido, e manter a calma ante o seu filho inquieto por temperamento.
 - Responsabilidade e procura. Preocupa - se com a boa educação do seu filho: consulta, busca, luta.
 - Caridade. Dedica tempo para visitar e a atender os Pobres, socorrendo-os nas suas próprias casas quando o trabalho doméstico do seu lar o permite.

Mulher de fé, mulher de procura, soube novamente encontrar na oração e na direcção do seu confessor, a interpretação correcta dos sofrimentos que a afligiam.

 

Luísa ficou viúva aos trinta e quatro anos. Foi uma alma provada pela dor e iluminada pela luz do alto. No meio dos seus compromissos no lar, no âmbito social e com os Pobres, Luísa não esquece aquela forte aspiração que teve na sua juventude de se entregar totalmente a Deus.

Isto lhe trouxe no decorrer do tempo, uma época de crise espiritual e de temores. Esta crise se despoletou por ocasião de uma grave enfermidade de seu esposo, e por conflitos na vida de seu filho…
Acreditava que tudo isto lhe sucedia como um castigo de Deus por não ter sido religiosa. Foi uma época difícil para Luísa, uma tremenda noite escura.

O mesmo Espírito Santo actuou sobre ela de maneira especial, como o fez um dia sobre os apóstolos enchendo-os da sua luz e da sua fortaleza. Foi para ela uma experiência de total libertação que a levou a assumir com coragem renovada as realidades do seu quotidiano no lar e na assistência aos pobres.

Mulher cheia de dinamismo e criatividade
Sem descuidar a atenção devida ao seu filho, procura entregar-se com uma maior doação às necessidades dos pobres. O contacto com S. Vicente de Paulo, o padre dos pobres, leva-a a descobrir novos horizontes de caridade e de serviço.

 

A sua vida abre-se de todo à acção caritativa e social actuando como:
- Incansável serva dos pobres
- Visitadora experimentada das confrarias da caridade
- Fundadora com S. Vicente, da Companhia das Filhas da Caridade
- Formadora de catequistas
- Mãe de crianças abandonadas

Os Homens santos não morrem, permanecem vivos nas suas obras e naqueles que seguem o seu espírito. Assim sucede com Luísa de Marillac. O seu nome e a sua inspiração estão presentes em cada uma das acções que se realizam através da Companhia das Filhas da Caridade.


(in site das Filhas da Caridade)

terça-feira, 3 de maio de 2016

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
 

«Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»
[8 de Maio de 2016]
Queridos irmãos e irmãs!
O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a reflectir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das acções da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.
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