quinta-feira, 6 de março de 2014

Mensagem do Bispo de Beja para a Quaresma de 2014


Os cristãos, sobretudo na Quaresma, tempo de preparação para os acontecimentos centrais da fé, a paixão, morte e ressurreição de Jesus, a Páscoa, são chamados a seguir, pessoalmente e em comunidade, a Jesus Cristo, a despojar-se dos fardos do ter, do poder e do prazer, para caminhar com leveza e agilidade ao encontro dos seus irmãos, a soerguer os marginalizados na berma dos caminhos da humanidade. Esta atitude exige conversão, mudança da lógica do mundo, desprendimento de si mesmo e atenção ao caminho de Cristo e aos outros.

1. A lógica das desigualdades
O itinerário da vida cristã é um seguimento dos passos de Cristo, umas vezes subindo o monte com ele, para, na intimidade nos deixarmos transfigurar pela sua luz, outras vezes descendo o monte da transfiguração para o seguir a caminho de Jerusalém, onde com ele nos despojamos do apego às coisas e a nós mesmos, oferecendo a nossa vida por amor a todos os irmãos, sobretudo os marginalizados e descartados da sua dignidade. Neste caminho somos assaltados por muitas tentações, que por vezes nos incitam ao abandono do Mestre, impedindo-nos de ver qualquer sentido nesse itinerário.
Na verdade, a lógica de Cristo e do seu seguimento parece uma loucura para a inteligência humana, mas é sabedoria de Deus para a nossa salvação. Parece que temos de nadar contra a maré, o que só os grandes atletas, fruto de muito treino, conseguem, sobretudo quando as ondas são fortes e nos impelem em sentido contrário. A lógica humana empurra-nos para o ter cada vez mais: meios materiais, poder e prazer, quase sempre à custa dos outros, que destituímos da sua dignidade de pessoas iguais a nós, com os mesmos direitos e deveres. Esta lógica cava cada vez mais o fosso entre ricos e pobres, entre senhores afortunados e escravos. E não precisamos de recuar ao tempo da escravatura ou das grandes guerras do passado. Isto podemos verificar entre nós, neste tempo de crise económica, de austeridade, cujas raízes profundas estão no nosso coração e nos sistemas políticos e económicos sem justiça, sem valores.

O Papa Francisco, e com ele muitos que levam a sua vida cristã a sério, começam a ser escutados, mesmo por quem não partilha os ideais do Evangelho. É só ler e ouvir os comentários favoráveis de afirmações fortes dos discursos e gestos papais, vindos de todos os quadrantes. No entanto, tenho a impressão que fazemos disso uma arma de arremesso contra os outros, que julgamos os culpados de tudo. Muitos dos que falam escondem outros interesses. Fazem parte dos que são mais iguais que a grande maioria dos cidadãos, pertencem aos que usufruem salários ou reformas milionárias e pouco partilham com as vítimas da crise, as centenas de milhares cada vez mais pobres.

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quarta-feira, 5 de março de 2014

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9) 



Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
A graça de Cristo


Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes22).



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segunda-feira, 3 de março de 2014

Vivências Missionárias em Terras do Sado (I)



Cativar os jovens

Sou a Nádia, tenho 17 anos e vivo na cidade dos Templários. Pertenço ao grupo da Juventude Mariana Vicentina (JMV).Comecei o ano de 2014 a fazer missão no Pousal.

Obra Social do Pousal, pertencente à Santa Casa da Misericórdia desde 1983 prossegue o seu trabalho, constituindo uma resposta social aos casos de pessoas com deficiência de idade igual ou superior a 24 anos e quadros resultantes de paralisia cerebral, anoxia cerebral ou degenerescências neurológicas.
Além do trabalho dos técnicos e outros servidores, esta instituição, recebe voluntários que procuram conhecer melhor estas pessoas e dar um pouco do seu tempo livre, dedicando-o à causa do próximo. Muitos jovens da JMV já fizeram uma experiência de voluntariado e missão nesta casa.
Quando no dia 5 de Janeiro saí do Pousal pensei em tirar um mês para me dedicar ao outro. Este mês foi repartido os primeiros 15 dias foram passados em Ermidas e Alvalade na Revitalização da missão. Passei dias muito bons.
Foi uma experiência incrível, foi o descobrir novas culturas, foi o tentar entrar numa comunidade. Em ambas as localidades conseguimos fazê-lo. Além deste tempo de Missão ter sido bastante bom para estas duas paróquias foi porém também muito enriquecedor para a minha caminhada. Claro que nem tudo foi espectacular e o facto de ver que a população mais jovem não vai à Eucaristia, mexeu muito comigo. Os jovens têm de ser chamados e essa é a nossa grande missão. Todos temos o dever de os cativar.
Um dia espero voltar a estas terras e rever todas aquelas pessoas com quem me cruzei. Um muito obrigado a todos.

Nádia Patrícia, JMV - Tomar
Equipa Missionária de Ermidas e Alvalade