quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

ENCONTRO DE FORMAÇÃO PARA ANIMADORES

Evangelização e Família

Mais um Encontro de Formação para Animadores da Comunidade na Diocese de Beja, o 14º, que desta vez, se realizou em Alvalade, no contexto da “Revitalização da Missão” e promovido pelo Centro Diocesano Missionário. O tema do encontro “Evangelização e Família” foi apresentado pelo Padre Manuel Nóbrega, sacerdote vicentino.
Estiveram presentes cerca de 30 pessoas vindas de Alvalade, Ermidas, S. Domingos, Porto Covo e Colos. Predominavam as pessoas adultas leigas mas também estiveram algumas jovens, três religiosas, o pároco, Pe. Sales e o Pe. Agostinho.
O encontro iniciou com um momento de oração de Louvor a Deus, muito intenso e bem ilustrado que nos fez saborear o grande Amor de Deus em todas as suas criaturas.



“Não sabíeis que devo estar na Casa de Meu Pai?”
O tema foi de enorme interesse e actualidade em sintonia com a preocupação da Igreja universal que, para tal, convocou para este ano um sínodo sobre a família.
O trabalho iniciou com a leitura da passagem bíblica que relata uma cena bem familiar. O episódio retratado por Lucas, o conhecido texto designado pela “perda e encontro de Jesus no Templo de Jerusalém”.
Este episódio mostra a preocupação de uma família natural, pais de Jesus, Maria e José que se preocupam e, aflitos, procuram o seu filho. Mas mostra também o encontro de Jesus com o Seu, Deus Pai, a quem ele deveria obedecer e fazer a Sua vontade. Quando Maria questiona Jesus, mais do que manifestar a sua preocupação, ela pretendia saber, conhecer, o que significava a resposta dada por Jesus. Maria “conservava – muitas - coisas no seu coração”. Era chegada a hora de lhe irem sendo reveladas.
Com base em extractos do “Documento preparatório de Sínodo de 2014 sobre a Família” e do Congresso Diocesano da Família, do Porto, reflectimos sobre a crise da educação da fé na família, a missão evangelizadora da família no projecto criador e salvador de Deus e, depois, em trabalhos de grupo reflectimos sobre várias questões contidas no texto sobre educação cristã na família.

Benefícios de uma crise
No ponto crise da educação da fé na família, reflectimos sobre o significado e a importância de “uma crise”. De tanto se falar sob o ponto de vista negativo escapa-nos o aspecto benéfico das crises que trazem sempre, e se bem aproveitadas, um crescimento, uma mudança. É assim também no desenvolvimento normal de qualquer criatura.
Todas as grandes fases do crescimento são fases críticas, e está particularmente presente em momentos cruciais da vida tais como a crise da adolescência, no discernimento vocacional, na perda de um ente querido, etc. Após uma crise, tem de haver um novo reequilíbrio, muda-se para um novo patamar, sempre diferente. É preciso perceber o que Deus nos quer dizer neste momento com a chamada crise na educação da fé na família.

Rapidez das mudanças
Actualmente, as mudanças são tão intensas e tão rápidas que dificilmente conseguimos estabilização nos novos padrões culturais. Por outro lado, o que eram considerados valores aceites desde sempre, deixaram de o ser. Os “mass média” exercem uma pressão que ultrapassa os ensinamentos da família. O pluralismo cultural confronta-nos com valores opostos e são apresentados de tal forma que é difícil para muitos fazer o discernimento desses valores contraditórios.



A oração como elemento de excelência na vida do cristão
Para um cristão, é fundamental a sua formação e a oração. Não basta ir à missa ao domingo ou receber os sacramentos. Tem de existir uma vivência coerente e partilhada. Deste modo, o cristão necessita dos outros com quem caminhar na fé. É o outro, o objecto das suas obras, “tudo aquilo que fizeres… é a mim que o fazeis”. Aumenta a nossa fé na medida em que amamos Deus no próximo.
A linha do Evangelho não é aquela da competição mas sim a da graça. É o dom da gratuidade e da confiança que hoje falta mesmo naqueles que se dizem cristãos. Estes dons podem ser valorizados através da oração individual mas sobretudo comunitária, para que possam servir como modelos de referência para os jovens.
Não nos podemos comparar com ninguém mas sim, sermos agradecidos, identificar os dons que Deus nos deu e questionar-nos como estamos a utilizar esses dons para realizar o desígnio que Deus tem a nosso respeito. O único modelo de comparação que Jesus nos deu foi o próprio Deus, sede perfeitos como o meu Pai é perfeito.

Trabalho de grupo
Reunimo-nos em cinco grupos e debruçámo-nos sobre algumas questões propostas no texto sobre as dificuldades da oração em família. As conclusões deste trabalho foram depois apresentadas em plenário.
Assim, verificámos que para criar um ambiente de oração, além da disponibilidade interior seria também necessário desligar mais a TV, que ocupa demasiado espaço nas nossas vidas; é possível e necessário que os pais assumam a responsabilidade da educação cristã dos filhos, porém, actualmente, muitos destes pais não têm formação religiosa e não se pode dar o que se não tem. Hoje são muitas vezes os filhos que trazem os seus pais para a Igreja; a maioria dos pais, precisamente por falta de formação, não sentem a necessidade da educação da fé dos filhos e os que a sentem, manifestam falta de tempo, falta de preparação e também, por vezes, falta de acolhimento dentro da paróquia.

Conclusão
Mais um encontro de formação que nos alerta, nos desinstala, e motiva para o essencial da vida. Pena que estejamos poucos a usufruir da disponibilidade e competência dos formadores. Um agradecimento ao Pe. Manuel Nóbrega e a quantos contribuíram para mais este evento.
Marieta Costa

Paróquia de S. Domingos

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ano Vocacional Vicentino



A Província Portuguesa da Congregação da Missão (Missionários Vicentinos ou Padres da Missão), fez uma opção extensiva a todas as suas actividades e programações: fazer de 2014 um Ano Vocacional Vicentino.
Paróquias, Missões Populares, trabalhos com capelanias e com os Ramos da Família Vicentinas estão convocados para esta opção.
O responsável pelo sector da Pastoral Vocacional apresenta as razões desta opção e aponta caminhos de reflexão e acção para a vivência plena e empenhada de todos.


Porquê um ANO VOCACIONAL VICENTINO?

- Porque não se pode falar em Igreja sem se pensar em Vocações.
Na verdade, Igreja e Vocações constituem um binómio de interdependência recíproca essencial: não podem subsistir uma sem a outra. A vocação é uma realidade constitutiva do ser ecclesia – lugar de encontro dos «chAMADOS» ou Assembleia dos «conVOCADOS».

- Porque temos de aproveitar os “novos ventos” que animam a Igreja universal.
O Papa Francisco convoca-nos a uma nova “saída” missionária: “hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. […] Sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20).

- Porque nós, enquanto Província da Congregação da Missão, definimos a Pastoral das Vocações como urgência e exigência de fidelidade ao carisma.
Face à realidade de membros (só em 2013 partiram para a casa do Pai 4 confrades) e de candidatos (um único no Seminário Interno) a Assembleia Provincial 2012 concluía que a Pastoral das Vocações tem de ser uma urgência que nos deve mobilizar a todos sem excepção sob pena de não estarmos a ser fiéis ao carisma que nos anima: ao jeito de Vicente de Paulo, seguir Jesus Cristo, missionário do Pai e evangelizador dos pobres.

- Porque sentimos que na Igreja desta velha Europa falta ardor apostólico e missionário.
“Em muitos lugares, há escassez de vocações ao sacerdócio e vida consagrada. Frequentemente isso fica a dever-se à falta de ardor apostólico contagioso nas comunidades, pelo que estas não entusiasmam nem fascinam. Onde há vida, fervor, paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas (EG 107).

- Porque desejamos edificar comunidades cristãs que sejam verdadeiras escolas vocacionais:
Lugar que chama e onde se faz a experiência feliz de ser chamado para toda a vida; lugar onde quem se sente chamado não faz caminho sozinho mas é amado e acompanhado; espaços de liberdade onde no anúncio da fé, se consolida, progressivamente, uma clara proposta vocacional, dirigida a todos em cada fase da sua vida. Na Igreja de Deus, quem é chamado deve, por sua vez, ser alguém que chama.

- Porque queremos favorecer a aprendizagem da escolha.
Queremos ser sujeitos “pro-vocantes”, sem medo de ser contra-cultura e propor o aspecto dramático da fé – Cristo entregou-se por nosso amor -, como opção crente feita de escolhas quotidianas.

- Porque somos homens que acreditam no poder e na força transformadora da oração.
A oração é fundamental para uma genuína animação vocacional, mas não como alibi que nos dispensa de pensar no outro, ou até de assumir as próprias responsabilidades. A oração vocacional é-o verdadeiramente não só quando multiplica horas de oração para pedir a graça de vocações missionárias, mas na medida em que predispõe as pessoas a assumir uma atitude correcta nesse sentido, ou seja, a atitude de responsabilidade unida ao empenhamento pessoal.

Neste mundo em mutação todos somos chamados a mudar [CONVERTER] tendo em conta as novas exigências e perspectivas, tal como as novas formas de se auto-conceber e de exercer o ministério missionário. A Pastoral Vocacional propõe que as comunidades possam acolher no seu próprio ser e modo de agir a dimensão vocacional. De tal forma que, a nosso ver, aqui tens sete boas razões para te empenhares ainda mais na vivência e celebração deste ANO VOCACIONAL VICENTINO.

P. Fernando Soares, CM

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Revitalização da Missão - Alvalade

Vocação e Missão
Vocação e missão são inseparáveis. O chamamento traz uma missão concreta e exige uma resposta. Quem é chamado e responde, assume levar por diante o compromisso, com fidelidade e entrega.
Na “Revitalização da Missão” em Alvalade, deu-se relevo às vocações de consagração a Deus: vida sacerdotal, vida religiosa e consagração laical. A paróquia de Alvalade tem sido abençoada filhos seus que vivem vocações de Consagração: Padre Hugo, pároco de Castro Verde, P. Daniel, pároco de Cuba, P. Atalívio, pároco em Castro Marim/Giões, na diocese do Algarve, Irmão Paulo, dos Irmãozinhos de S. Francisco-Beja, Irmã Rosa, franciscana e Maria Inácia, leiga consagrada.

No dia dedicado à Igreja, a comunidade paroquial, quis agradecer a Deus este dom e reuniu-se em celebração litúrgica, presidida pelo Bispo diocesano e cantou a maravilha da vocação e missão dos seus filhos. Por razões de saúde, o P. Atalívio e a Irmã Rosa não puderam estar presentes. Todos os demais se associaram a esta celebração. Durante a tarde, D. António Vitalino visitou as famílias dos sacerdotes e irmãos, num gesto de agradecimento e de presença.
A Eucaristia, solene por natureza, contou com o testemunho de cada um dos vocacionados e foi enriquecida com a presença de muitos familiares e amigos, não só de Alvalade como também das paróquias ao cuidado pastoral do P. Sales. Seguiu-se um jantar-convívio na Casa do Povo, em ambiente de festa e de louvor.

Cuidar da vocação
Foi um momento digno, muito importante e desafiante. Em tempo de Missão ou fora dele é necessário valorizar a vocação e missão dos filhos de cada terra e lugar. Cuidar da vocação, além de rezar e de fazer a proposta, é salutar, criar momentos como este, em Alvalade. São momentos de acção de graças, de estímulo, de testemunho concreto.
Oriundos das paróquias da nossa diocese há sacerdotes diocesanos, de congregações ou ordens, bem como religiosos e religiosas e leigos consagrados.
Será que são todos conhecidos, sabemos o carisma ou missão que exercem, rezamos por eles? Vamos pensar em estimular e acompanhar as vocações, agradecendo a Deus este dom e acarinhando e fazendo-nos presença junto dos que deram o seu sim e vivem a missão na evangelização, no serviço e na caridade.


Evangelização e Família
Na Missão Popular há um dia dedicado à família. É um momento de louvor e de bênção, de presença e de reflexão. Nem sempre é fácil mobilizar e reunir os casais, pais e filhos, para esta celebração. Vai-se conseguindo que alguns participem. A ida às casas da família, seja para a refeição seja para a visita, também ajudam a uma proximidade e a um abrir espaço para este acontecimento.
Num ou noutro caso, as assembleias familiares também conseguem criar laços de vizinhança que, por sua vez, levam a uma participação de mais alguns casais. São pequenos passos que ajudam a levar às famílias uma palavra, uma resposta, uma inquietação. Mas é preciso fazer muito mais.
Em Alvalade, mas não só para esta paróquia, foi promovido um Encontro de Formação direcionado para a Família. Mesmo coincidindo com o Fórum diocesano sobre a Educação, a participação nesta acção ficou muito aquém do que se podia esperar.
É preciso fazer mais e melhor. Como fazer e o que fazer, eis a questão. Mas, cruzar os braços não é atitude evangélica. Ir ao encontro, abrir portas, fazer-se presente, talvez ajude a ganhar a família e a fazer dela mais família e mais igreja.

Comunidades de reflexão
Com maior ou menor dificuldade, na Missão, tem-se apostado nas Assembleias familiares. As resistências, por vezes, são grandes: a falta de animadores, a falta de disponibilidade (horários diversos, camadas etárias diferentes), a pequenez dos espaços, são algumas das dificuldades, mas nem sempre são as maiores. Mesmo assim, vai-se conseguindo lutar contra a corrente.
Em Ermidas-Sado, neste tempo de revitalização da Missão, funcionaram 4 Assembleias. Em Alvalade, foram 5 as Comunidades que retomaram o caminho, começado na Missão de 2009. Os temas “Onde está o teu coração” e “Cristãos comprometidos na comunidade” ajudaram a uma reflexão profunda e a um testemunho que vai continuar, em próximas reuniões, com o tratamento dos temas do Sínodo Diocesano.
A este propósito e neste contexto, e em dia em que se celebrava o 2º aniversário da páscoa de D. Manuel Falcão, foi recordada a frase que este proferiu num Encontro de Assembleias, em Alvalade: “Não podemos concordar em rastejar quando sentimos o impacto de voar”.
Nestas 2 comunidades, o “tempo de Revitalização” com as suas dinâmicas, presença e intensidade de propostas, envolveu as pessoas e as instituições (centros de dia e escolas), lançou desafios e proporcionou vivências muito intensas. Valeu a aposta. Que Deus seja louvado!

P. Agostinho Sousa,


                                                                                                                                                          CDM/Beja