quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Questões sobre a família


Nos últimos dias a comunicação social tem posto na praça pública muitas questões sobre o pensamento da Igreja católica acerca da família. Primeiro ao tomar conhecimento do questionário enviado de Roma para preparar o Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa Francisco para 2014 e 2015 e que versará sobre esta temática. Depois ao saber da carta pastoral acerca da ideologia do género, publicada pela conferência episcopal portuguesa a 14 de Novembro.
Mas, afinal, vai haver ou houve mudanças substanciais no pensamento da Igreja acerca da família? Ou apenas mudança de sensibilidade e atitude na relação com as famílias e pessoas que não vivem de acordo com a doutrina tradicional da Igreja católica?


Em primeiro lugar, convém desfazer alguns mal entendidos. Sempre foi costume fazer anteceder os sínodos com muitas questões acerca do tema escolhido. Desta vez, talvez também por vontade expressa do Papa Francisco, o questionário sobre a família deve ser respondido não apenas por membros do clero, mas também pelos leigos. Além disso, há perguntas sobre atitudes expressamente contrárias à doutrina tradicional da Igreja sobre o casamento e a família. O Sínodo quer saber a sensibilidade dos católicos a esse respeito, com frontalidade, sem subterfúgios. Isso não significa que tenciona mudar a doutrina da Igreja, que assenta na revelação bíblica e na antropologia judaico-cristã.

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Evangelho da Alegria

«Evangelii Gaudium»
Papa apresenta «guião» para o pontificado
O Papa Francisco publicou hoje a exortação apostólica, ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho), primeiro documento do género escrito por si na totalidade, em que apresenta o projecto de uma “nova etapa de evangelização”, nos próximos anos.

“Espero que todas as comunidades se esforcem por implementar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão”, escreve, no documento divulgado pela Santa Sé.

O texto retoma as principais preocupações manifestadas pelo Papa desde o início do seu pontificado, após suceder a Bento XVI em Março deste ano, e fala numa Igreja “em saída” e atenta às “periferias”, bem como a “novos âmbitos socioculturais”.

A exortação apostólica refere-se a uma “conversão do papado” e questiona uma “centralização excessiva” que complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária.

O texto desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo o contributo dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012 com o tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé’.

Ao contrário do que é habitual, a exortação não se assume como ‘pós-sinodal’ por ultrapassar o âmbito específico tratado na última reunião de bispos católicos.

Francisco usa um “neologismo” para afirmar que os católicos “«primeireiam», tomam a iniciativa”, num "estado permanente de missão" para enfrentar os riscos da “tristeza individualista" no mundo de hoje.

Essa missão, acrescenta, origina "novas formas", "métodos criativos", uma "reforma das estruturas" e uma Igreja com “portas abertas”.

"A evangelização também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja à colaboração com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais.

O Papa repete o desejo de “uma Igreja pobre”, "ferida e suja” após sair à rua, porque “uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores”.
“Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”, adverte.
Francisco deixa várias indicações para o interior das comunidades católicas, alertando para um "pessimismo estéril" e para os que ficam “inflexivelmente fiéis a um certo estilo católico próprio do passado".

A exortação sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo", bem como a de “ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva”.

O Papa denuncia o actual sistema económico, preso a um "mercado divinizado", e lamenta os "ataques à liberdade religiosa", em particular os casos de perseguição aos cristãos.

Francisco deixa claro que a Igreja não vai mudar a sua posição na defesa da vida e pede ajuda para as vítimas de tráfico e de novas formas de escravidão.

texto percorre 288 pontos, divididos em cinco capítulos, e conclui-se com uma oração a Maria, ‘Mãe da Evangelização’.

 “O entusiasmo na evangelização funda-se nesta convicção: temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir”, escreve o Papa.
OC D.R.
Cidade do Vaticano,
26 Nov 2013

(Ecclesia

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sines – Na senda da Missão

Neste domingo, dia de Cristo Rei, depois de regressar de Beja das ordenações e instituições o pároco de Sines, P. Pereira, confidenciou: “Hoje, a igreja estava a abarrotar: famílias de crianças e reconquistados pela Missão”. Graças a Deus que assim é!
A Missão, na cidade de Sines, teve muitos e lindos momentos de encontro, de celebração, de oração, de convívio, de partilha, de descoberta. Muitos deles já foram notícia e deles já houve testemunhos.
Se o contacto com as Escolas foi um ponto alto da segunda semana, também os encontros na Santa Casa da Misericórdia tiveram expressão e peso: muitos velhinhos se abeiraram dos sacramentos de cura. Bastantes foram aqueles que experimentaram a Reconciliação e muitas dezenas, saborearam a vivência do Sacramento da Unção dos Doentes. A ternura do olhar, algumas lágrimas teimosas e um sorriso em rostos marcados pela agressividade da doença e do trabalho, espelharam a felicidade deste momento, vivido na celebração festiva, num salão cheio e preparado com esmero e carinho. Foi uma hora santa para tanta gente.
Também, no mesmo salão, houve o Encontro de Formação para Animadores da Comunidade. Orientado pelo P. Cartageno, cerca de quatro dezenas de participantes, a maioria de Sines, à luz dos documentos conciliares e de outros que os tornaram efectivos e presentes nas celebrações litúrgicas, procuraram descobrir o que nelas se canta e como se canta. Não faltou a solenidade da oração de Laudes e de Vésperas para dar exemplo do muito que é preciso aprender e da necessidade de aprofundar esta área tão sensível e, por vezes, tão maltratada, das nossas liturgias. Foi um belo momento a pedir mais alguns do género para uma melhor celebração “dos santos mistérios”.


Celebrações temáticas
A Missão Popular, na primeira semana, aposta forte nas comunidades. Estas fazem uma caminhada muito interessante ao longo de quatro noites seguidas, a qual tem o seu ponto alto na Comunidade das comunidades.
A segunda semana, dá continuidade a esta caminhada, nas celebrações temáticas. A Palavra de Deus, a Igreja, a Família, Cristo Luz do mundo, o Espírito Santo, fonte de reconciliação e Maria, estrela da Evangelização, ocupam as noites dessa semana. Em Sines, a equipa paroquial que preparou e coordenou o programa da Missão, quis alargar o horizonte e âmbito destas celebrações: programaram-se os dias do Mar e do Pescador, do Bombeiro, da Solidariedade, do Serviço, do Vizinho, bem como o dia Multicultural. 
Dia a dia, a assembleia ia crescendo, as comunidades assumiam a animação das celebrações e foi lindo e muito edificante ver muitas das expressões e vivências que iam aparecendo à medida que as pessoas eram convidadas a participar em momentos-chave de cada celebração. Todos os dias, mas de modo particular, o dia da Palavra, da Igreja e da Reconciliação, foram muito vividos e interiorizados.
A presença do senhor Bispo deu uma amplitude maior à Missão. A proximidade, a palavra, o encontro quer nas ruas quer nas casas e a sua participação nas celebrações da Família e da Reconciliação, na igreja Matriz, deu para perceber que a Missão é de todos e para todos.
Valeu a pena a Missão em Sines. Terminou a 17 de Novembro, mas a Missão começou agora. As comunidades, as famílias, os serviços e movimentos, os grupos e as catequeses, as Escolas e as Instituições, as visitadoras e as voluntárias, todos foram convocados para continuar em estado de Missão. Deste modo, serão verdadeiros anunciadores e testemunhas do “Evangelho da alegria”.


P. Agostinho Sousa, CDM/Beja