quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Formar para a vida


No próximo domingo começa nas dioceses portuguesas a semana dos seminários, altura para nos interrogarmos sobre o seu papel na vida da Igreja e da nossa sociedade. As comunidades dos seminários não se podem fechar em si mesmas. Precisam da relação com as comunidades reais e estas também de se relacionar com os seus seminários.

1. Preparar para a vida


O ser humano depende de uma relação e desenvolve-se numa rede de relações, nas quais encontra o seu lugar, dando e recebendo. A relação primordial e fundamental encontra-se na família, a partir dos pais. A inserção na rede de relações exige preparação, estudo e prática.


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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

SINES – A MISSÃO ESTÁ NA RUA!



A paróquia de Sines está em Missão. Começou, na tarde de sábado, dia 2 de Novembro, com uma procissão em honra de Nossa Senhora das Salas. Esta atravessou toda a cidade e convocou a todos para este tempo forte de evangelização.
A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários abria caminho e fazia-se ouvir, assinalando a passagem da veneranda e histórica imagem que foi transportada pelos homens do mar. Enquanto passava a procissão muitos se assomavam às janelas para ver quem passava e muitos mais, rezavam e cantavam os louvores de Maria. A uns e a outros a Mãe dizia: “Fazei o que Ele vos disser!”
O largo em frente à igreja Matriz foi pequeno para acolher as muitas centenas de pessoas que aceitaram o convite. Depois de a Imagem ter entrado na igreja matriz, foi celebrada a Eucaristia vespertina e o templo estava repleto de gente. A assembleia dispôs-se para ser “iluminada pela Palavra e alimentada pela Eucaristia”.

Cedo, no domingo, começou a haver movimento na Igreja e à volta dela. Muitos acorreram para participar na Missa do Envio. As crianças e os adolescentes, encarregados de animar o canto, emprestaram um tom alegre e jovial à celebração. Os missionários, os animadores das comunidades, os donos das casas e visitadores, no momento próprio, após a invocação ao Espírito Santo, receberam a cruz, símbolo do envio. O ofertório, com sinais alusivos à Missão, foi solenizado por adultos e crianças. Estas, além dos dons trazidos ao altar, trouxeram alimentos que depositaram em cestos para serem entregues a famílias com fracos recursos. O gesto de dádiva está inserido na campanha assumida pela catequese paroquial que, ao longo das semanas, tem vindo a fazer esta recolha.
A tarde foi preenchida por um momento de carácter histórico. Uma vez mais, na igreja matriz, e tendo como tema de fundo a devoção do povo de Sines a Nossa Senhora das Salas, o arquitecto Ricardo Pereira, fez uma viagem pelo tempo e foi mostrando como a gente desta região foi vivendo a sua fé e os testemunhos que deixou, quer nas igrejas construídas (de algumas delas só existem as ruínas!), nas imagens veneradas e nas tradições religiosas. Sendo uma conferência histórica, foi rica e profunda em conteúdos de fé e de religiosidade popular. Este momento foi enriquecido com a leitura de alguns textos em poesia alusiva a Nossa Senhora, (sonetos da autoria do P. João Sevivas, missionário vicentino e falecido no início deste ano), a qual fazia a meditação a partir dos muitos nomes pelos quais é invocada (Senhora das Salas, do Carmo, da Graça, da Missão, do Rosário e da Conceição).
As dezenas de pessoas que participaram ficaram agradados com este momento histórico e que lançou um desafio a todos: “somos herdeiros de um património histórico rico e variado, escrito pela fé de muitos homens e mulheres que ao longo dos tempos deixaram marcos e sinais da sua espiritualidade e compromisso de fé. Hoje, estes homens e mulheres somos nós que, desafiados a viver a mesma fé, temos que continuar a escrever essa história, não tanto em edifícios ou sinais e expressões de arte, mas com uma vida cheia de valores que emprestam à sociedade actual o sabor do Evangelho. A Missão é um tempo forte para ajudar a construir esta comunidade nova”.
Como no livro do Génesis, poder-se-á dizer: “e este foi o primeiro dia!”. Foi um belo momento para começar e viver a Missão. A Missão está na rua e todos são convidados a deixar-se tocar por ela.

Os missionários
Desde o anúncio da Missão, em Abril passado, no domingo da Divina Misericórdia que a comunidade paroquial de Sines tem vindo a preparar-se para a Missão. A equipa responsável tentou pôr em andamento a parte logística da Missão, desde descobrir espaços ou casas para acolher as comunidades até à programação de momentos fortes e celebrativos para envolver toda a comunidade. A custo, conseguiu-se que vão funcionar treze comunidades. Não foi fácil este trabalho do porta a porta. Só a insistência e a boa vontade de alguns, conseguiram estes espaços para tornar realidade o esquema da primeira semana da Missão. Estes grupos, na maior parte deles, são orientados por dois ou três animadores, os missionários locais que dão corpo e visibilidade à Missão.
De fora, a equipa missionária, é composta pelo P. Agostinho Sousa, CM, director do Centro diocesano missionário, a Irmã Celina, Religiosa do Bom Pastor, de Colos, o Luís Marques, seminarista de Beja, o José Neves, leigo de Santiago do Cacém e a Arlete Vieira, Colaboradora da Missão Vicentina, de Lisboa. Integram também esta equipa, o pároco, P. José Pereira, os diáconos permanentes Joel e Simão e as respectivas esposas, Matilde e Joana. É uma equipa muito variada, mas que tem pela frente desafios muito grandes. Só a força do Espírito Santo e a oração poderão suprir as suas limitações e dificuldades.


A rectaguarda missionária e a força da oração
Um dos momentos fortes da Missão é o tempo de oração comunitária, todas as manhãs, na Igreja matriz, pelas 9h30. O ofício de Laudes aberto à comunidade e a exposição do Santíssimo Sacramento são a melhor forma de começar cada dia.
Em muitos lugares da diocese, pessoas e grupos, estão em sintonia de oração com os missionários e a paróquia de Sines. Em outras dioceses e em muitos movimentos ou casas de oração, a vivência orante é uma certeza. Chegam-nos ecos e testemunhos bem ilustrativos desta forma de ser missionário, de viver a Missão a partir da oração.
É bom saber da existência desta rectaguarda missionária. Contar com ela, é caminho aberto para seguir em frente, para chegar mais longe.
P. Agostinho Sousa,
CDM/Beja



sábado, 2 de novembro de 2013

Missão Popular em Sines



De 3 a 17 de Novembro vai realizar-se na cidade e paróquia de Sines a Missão Popular. Esta vai começar já no próximo sábado, com uma Procissão em honra de Nossa Senhora das Salas, desde a Ermida até à Igreja Matriz. Deste modo, a imagem de Maria, Mãe da Igreja, passará por algumas das ruas, convocará para a Missão todos os sineenses e presidirá a todo este tempo de evangelização. Para abrir o leque das propostas e desafiar a uma participação mais empenhada na Missão, no domingo, dia 3, pelas 15h30, na Igreja paroquial há uma conferência proferida pelo Arquitecto Ricardo Pereira, sobre a devoção a Nossa Senhora das Salas, que culminará com um momento musical.

As pequenas comunidades familiares são um dos meios para levar a mensagem e ajudar as pessoas a um encontro entre si e com a Palavra de Deus. Além dos temas próprios da Missão, suas dinâmicas e propostas, criaram-se dias específicos para chegar a um maior número de pessoas: o dia do mar e do pescador, o dia do bombeiro, o dia multi-racial, o dia da família, o dia do vizinho, o dia da solidariedade e do serviço, além do dia do doente e da pessoa idosa e o dia da misericórdia. O magusto paroquial, no Castelo, ajudará as crianças e as famílias, a criar laços e a despertar para o momento forte que se vive na paróquia.


Sendo uma realidade muito diversificada e específica, numerosa e com características próprias, apresenta dificuldades e desafios novos. Os animadores, a equipa responsável, os missionários e o pároco estão cientes desta realidade. Contam com a força do Espírito Santo e com a disponibilidade e a participação dos habitantes de Sines e querem contar também com a força da oração de todos!

História de séculos e da modernidade
A história de Sines tem sido enformada pelo mar. Da Pré-História aos dias de hoje foram o mar e os seus recursos que definiram a economia, a cultura, a composição e até o carácter das suas gentes.

Sines tem ocupação humana desde a Pré-História e vestígios de praticamente de todos os períodos históricos. A riqueza do mar de Sines e dos pontos abrigados da sua costa, raros no Alentejo, começam a definir a identidade económica de Sines desde as épocas mais remotas. Os Romanos fazem da actual capital do concelho um entreposto portuário e comercial (Sines vem de "sinus", a palavra romana para baía). Sines cresce como aldeia piscatória até que, em 1362, o município é fundado pelo rei D. Pedro I, interessado nas suas funções defensivas da costa. O Castelo, o principal monumento da cidade, é concluído pela população como contrapartida da concessão do foral. Cerca de um século depois, em 1469, nasce em Sines (há outras terra que reclamam o mesmo acontecimento) uma das maiores figuras da história universal, o navegador Vasco da Gama.


século XX começa praticamente com a restauração do município, em 1914. A indústria da cortiça, a pesca e alguma agricultura e turismo constituem a base da vida de Sines até ao final da década de 60, quando, além da proximidade do mar, Sines pouco se distingue do resto do Alentejo. O grande complexo industrial criado pelo governo de Marcelo Caetano em Sines, em 1970, muda o concelho. A população explode e diversifica-se, a paisagem ganha novas configurações e a comunidade luta para manter a sua integridade e a qualidade de vida, mitigando os impactes negativos da instalação das novas unidades e aproveitando os positivos.
O porto de Sines é um porto de águas profundas, com terminais especializados que permitem o movimento de diferentes tipos demercadorias. Para além de ser o principal porto na fachada atlântica de Portugal (e da Europa), devido às suas característicasgeofísicas, é a principal porta de entrada de abastecimento energético de Portugalgás naturalcarvãopetróleo e seus derivados (Características, 2007). A sua construção teve início em1973 e entrou em exploração em 1978. O porto opera 365 dias por ano, 24 horas por dia, disponibilizando serviços tais como: controlo de tráfego marítimopilotagemreboque e amarração; controlo de acessos e vigilância.

Alguns dados do presente e do passado
É neste contexto e nesta área que vai acontecer a Missão Popular. Nesta vasta região da Paróquia de Sines, em 1983, de 6 a 21 de Março, quando era seu pároco o P. José Martins (falecido este ano, a 13 de Abril) aconteceu uma Missão Popular. Passadas três décadas, uma nova experiência missionária vai acontecer nesta cidade à beira mar plantada. O P. José Fernandes Pereira é o actual pároco. Conta com a colaboração dos diáconos permanentes Joaquim Simão e Joel Gonçalves. A catequese paroquial, a Cáritas, o caminho neo-catecumenal, os visitadores de doentes, o grupo coral e de leitores, o grupo de jovens-JMV, os cursos de cristandade e equipas de Nossa Senhora, são forças vivas que procuram manter viva a comunidade paroquial. A estes grupos ou movimentos, podem-se juntar outros, de cariz mais abrangente e de proveniências diferentes que fazem de Sines, uma comunidade multicultural e multifacetada.

No Census de 2011, Sines tinha 13.225 habitantes, equivalendo-se o número de Homens e de Mulheres. Em relação ao Census 2001 ganhou 683 pessoas.
No aspecto religioso, e com os dados referentes a 2012, frequentaram a catequese 120 crianças. Desse número, 35 fizeram a 1ª Comunhão. Celebraram-se 21 baptismos, 7 matrimónios e 74 funerais. Em 2005, as crianças da catequese eram 145. Houve 58 baptismos, 24 matrimónios e 72 funerais. Neste ano pastoral, funcionam os 10 anos de catequese, havendo ainda, 2 grupos de catequese de adultos (1º ano) e 1 grupo do 2º ano.

A grande festa religiosa celebra-se nos dias 14 e 15 de Agosto. É a festa da Senhora das Salas que tem como particularidade a Procissão do dia 15 de Agosto, com percurso em terra e no mar. Esta imagem (da Senhora das Salas ou das Salvas, encontra-se na Ermida com o mesmo nome. Esta foi construída em acção de graças por um suposto milagre na viagem de barco que a trouxe a Portugal (onde vinha ser dama de honor da futura rainha D. Isabel), pela princesa grega Betaça (ou Vetaça) Lescaris, no final do século XIII / início do século XIV. A igreja primitiva é uma construção modesta, de uma só nave, mas torna-se rapidamente num destino de intensa peregrinação. Talvez em acção de graças pelo sucesso da viagem à Índia, Vasco da Gama decide reedificar o edifício de raiz, dando-lhe uma escala mais grandiosa.

Sob a protecção de Nossa Senhora das Salas e depois de um longo, difícil e aturado tempo de pré-missão, a equipa missionária, constituída pelos P. Agostinho, CM, irmã Celina do Bom Pastor (comunidade de Colos), seminarista Luís Marques (Beja), José Neves (leigo de Santiago do Cacém) e Arlete Vieira (dos Colaboradores da Missão Vicentina-Lisboa) vai animar, a partir do próximo domingo, este tempo forte de Missão Popular na paróquia e cidade de Sines.

P. Agostinho Sousa, CDM/Beja