segunda-feira, 30 de setembro de 2013

“Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres”

 

Estamos a começar o mês de Outubro. É um tempo com um grande cariz missionário não só porque abre com a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus mas também porque se celebra o dia Mundial das Missões, este ano a 20 de Outubro. Oração, reflexão, acções e jornadas missionárias são algumas das realizações que vão dando tonalidade missionária à vida das comunidades e que provocam uma maior incidência na dimensão missionária da Igreja.

Por coincidência ou não, nestas primeiras semanas, realizam-se três Missões Populares, em três dioceses diferentes. O espírito e o carisma de Vicente de Paulo continuam bem actuais. O lema que ele deixou aos Padres da Missão, o mesmo que percorre as páginas do Antigo Testamento (Isaías) e se tornou mais forte e presente na vida de Jesus de Nazaré (o Espírito do Senhor está sobre mim e enviou-me …Hoje cumpriu-se o que acabais de escutar), torna-se urgência no início da Igreja e, nos nossos dias, é a resposta concreta e forte para as ânsias e esperanças dos homens e mulheres deste nosso tempo.
Ele envia-nos para, sem medo, servir a causa do reino, para levar a Boa Nova, para ser Suas testemunhas (sede minhas testemunhas, em Jerusalém e em todas as nações).

- Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, diocese de Santarém


A Missão Popular na planície ribatejana acontece de 29 de Setembro a 13 de Outubro. A Eucaristia vespertina e Procissão em honra de S. Miguel, Arcanjo, padroeiro de Marinhais, foi o primeiro acto deste tempo forte de evangelização. A Eucaristia do Envio, tornou mais visível a força do Espírito Santo, o protagonista da Missão, que tocou o coração de muita gente que abriu as portas de suas casas para acolher as cerca de 20 comunidades, bem como dos Animadores que, à luz da Palavra de Deus vão fazer a experiência das primeiras comunidades.
Marinhais é uma paróquia que está confiada aos padres vicentinos, à comunidade de Salvaterra de Magos, e tem como responsável directo, o P. João Maria. A equipa missionária é constituída pelo P. Agostinho, pela Irmã Gorete, Missionária do Espírito Santo e pela Arlete, leiga missionária.

- Madalena, concelho de Chaves, diocese de Vila Real


Na mesma data, e mais a norte, em plena cidade de Chaves, acontece a Missão Popular na paróquia da Madalena. Confiada aos padres vicentinos há 2 anos e o pároco é P. José Alves. Depressa a paróquia sentiu-se desafiada a um tempo novo de evangelização. Além da sua área geográfica, envolveu mais alguns núcleos um pouco distantes do centro da cidade mas, também eles, ao cuidado pastoral deste sacerdote.
Após o tempo de preparação, constituíram-se 19 comunidades que vão funcionar em 4 dias, reflectindo, em conjunto, vários temas que ajudam a alimentar a fé, a viver a comunhão e a assumir compromissos na comunidade cristã.
Tendo em conta a mobilização para todas as idades, as próximas acções – Via Lucis, para adultos e largada de balões, para as crianças – levarão o anúncio às ruas e lugares. A frase “Vem à Missão, conhecer Jesus!” lançada nos balões, será um desafio e um convite para que ninguém fique indiferente e possa participar, nos dias seguintes, nas comunidades e nas celebrações da Missão.
A Equipa missionária é constituída pelo P. José Maria Pereira, CM, pela Irmã Conceição, Hospitaleira da Imaculada Conceição e pela Irmã Glória, Filha da Caridade.

- Arões – Concelho de Vale de Cambra, diocese de Viseu


Já na próxima semana, de dia 6 a 20 de Outubro, nova equipa entra ao serviço da Missão: os padres Álvaro Cunha e Fernando Soares e a leiga missionária, Célia.
Desde o anúncio, a comunidade de Arões, com o seu pároco, P. Eurico, assumiram a dinâmica da Missão e, em todas as reuniões, dezenas de pessoas foram reflectindo e, como resposta concreta, foram criando materiais para levar a todos o anúncio da Missão e para que todos fossem envolvidos por ela. Desse dinamismo criativo fomos dando nota em outros apontamentos. Nem o facto de ser uma comunidade dispersa intimidou os responsáveis locais; antes pelo contrário, exigiu esforço, disponibilidade e vontade para se fazer uma preparação cuidada e comprometida.
 
Três Missões Populares, em três dioceses, em ambientes diferentes. O mesmo Senhor nos envia e o Mesmo Espírito nos anima. Em comunhão, e ao jeito de Santa Teresinha, mesmo nas coisas pequenas coloquemos o Amor que tudo transforma e, como ela, façamos uma cadeia de oração pela Missão, pelos Missionários, pela Igreja.

P. Agostinho, Missão Popular Vicentina

e CDM/Beja

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

27 de Setembro: Vicente de Paulo – O Santo da Caridade e da Missão

"Voltemos a nossa mente e o nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de acção e de oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em génio da caridade, nos ajude a todos nós a pôr mais uma vez as mãos no arado - sem olhar para trás - para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa Nova aos pobres..."
(João Paulo II)


Vicente de Paulo nasceu na cidade de Pouy, na França, a 24 de Abril de 1581. Filho de pobres camponeses, manifestou o desejo e gosto para o estudo. Entrou para o seminário e foi ordenado padre ainda muito novo, com apenas 19 anos de idade.

O início da sua vida sacerdotal foi marcado por muitas dificuldades e desacertos. Inicialmente, estava muito preocupado em ajudar a sua família e em conseguir alguma estabilidade financeira. Diante de uma série de fracassos, foi amadurecendo e, sobretudo a partir de 1612, lançou-se inteiramente no serviço aos pobres.

Em contacto com os camponeses, conheceu o estado de abandono religioso e a miséria em que viviam as populações do campo. Percebeu que os pobres tinham necessidades urgentes e que, para ser fiel a Cristo, era preciso servi-los. Começou, então, a pregar missões entre os pobres e a organizar diversas obras de caridade.


Passando a residir em Paris e enfrentando uma época de guerra, confusão política, de grandes problemas sociais e, também, de desorganização da Igreja, o padre Vicente de Paulo passou a dedicar-se inteiramente à evangelização e ao serviço dos pobres.

Para este fim, fundou a Congregação da Missão e a Companhia das Filhas da Caridade. De muitas maneiras e com criatividade, desenvolveu uma intensa acção caritativa e missionária, sempre contando com os padres e irmãos de sua Congregação, com as irmãs de Caridade e com muitos leigos generosos.

Entendia que o pobre é a imagem de Cristo desfigurado a quem devemos servir. E a Igreja deve estar ao seu serviço. Por isso, actuou na reforma da Igreja, sobretudo, na formação do clero e dos seminários.

Morreu em Paris, a 27 de Setembro de 1660. Foi beatificado a 13 de Agosto de 1729 e canonizado a 16 de Junho de 1737. A 2 de Maio de 1885, o Papa Leão XIII declarou S. Vicente de Paulo patrono de todas as obras de caridade que dele derivam ou nele se inspiraram.
Das Conferências de São Vicente de Paulo,
às Filhas da Caridade.

“Não devemos considerar os pobres segundo o seu exterior, nem segundo o que aparece ao alcance do seu espírito, pois, geralmente, não têm nem o semblante nem o espírito de pessoas racionais, tão grosseiros e terrenos que são. Não obstante, virai a medalha e vereis, à luz da fé, que o Filho de Deus, que quis ser pobre, é representado por estes pobres; que, na sua paixão, ele quase não tinha aparência de um homem e que passava por louco aos olhos dos gentios e por pedra de escândalo para os judeus.

Com tudo isso, ele é o evangelizador dos pobres: “Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres”. Devemos revestir-nos desses sentimentos e fazer o que Cristo fez, isto é, cuidar dos pobres, para curá-los, consolá-los, socorrê-los e ampará-los.

O próprio Cristo quis nascer pobre, escolheu discípulos pobres, quis servir os pobres, colocar-se no lugar dos pobres, chegando a dizer que o bem ou mal que fizermos aos pobres os considerará como feitos a Si próprio: “Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos, é a mim que o fazeis!”

Se Deus ama assim os pobres, ama por consequência todo aquele e aquela que ama os pobres, sendo, desse modo, seus amigos e seus servos. Deste modo, temos razões para esperar que, pelo amor aos pobres, Deus nos ama também.

Portanto, quando formos ver os pobres, esforcemo-nos por penetrar nos sentimentos deles, para sofrer com eles, para termos as mesmas disposições do grande Apóstolo, que dizia: “Fiz-me tudo para todos”.
Vicente de Paulo

Serviço da Missão Popular da PPCM


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

RECOMEÇAR



Ao iniciarmos um novo ano pastoral, saúdo todos os cristãos e pessoas de boa vontade residentes na área da diocese de Beja, com os seus 17 concelhos (14 do distrito de Beja e 3 do Alentejo Litoral) e peço-lhes a atenção para estas breves considerações de um bispo preocupado com o bem de todos.

No próximo sábado, 28 de Setembro, a partir das 9,30 horas da manhã, chegam ao Centro Pastoral de Beja pessoas vindas de todas as paróquias, serviços e movimentos da diocese, para celebrar o XXXI Dia Diocesano, instituído pelo saudoso D. Manuel Falcão, que marca anualmente o reinício das atividades pastorais na diocese de Beja.

No ano passado abrimos o Sínodo diocesano, que está a decorrer. Por isso gostaríamos de contar com todos os membros do Sínodo e os colaboradores na vida e missão da Igreja diocesana. É um momento de encontro, de alegria e de planeamento do nosso ano pastoral. Por isso vamos com alegria para este encontro da família diocesana. O Bispo deseja ver-vos, saudar-vos e comprometer-se convosco.

1. Recomeçar
A 11 de Outubro de 2012 começamos um Ano da Fé, 50 anos depois do início do concílio Vaticano II, convocado pelo bom Papa João XXIII e que despertou na Igreja e no mundo uma onda de esperança. Dum ambiente fechado, cheio de temas e assuntos tabus passou-se a um ambiente primaveril na vida da Igreja, interessada em promover a paz, o bem-estar e o entendimento entre todos os povos, apesar da diversidade de culturas e de religiões. Voltou a sentir-se que Jesus Cristo veio para salvar toda a humanidade e a Igreja não pode adormecer sobre as suas certezas, mas torná-las perceptíveis e credíveis a todos, sem fanatismos, mas com muito amor.


Terá isto acontecido? Em que falhámos? Como reavivar o ardor da esperança, tornar o evangelho e a pessoa de Jesus próxima de todos, viver a alegria de sermos salvos?

De uma Igreja voltada para si mesma, para os seus problemas e questões internas a uma Igreja aberta aos problemas da humanidade, disponível para colaborar com todos os homens de boa vontade, apesar das legítimas diferenças, foi uma revolução copernicana, mais parecida com o seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo, que veio para os pobres, os doentes, os pecadores, e não para os justos. Retomar o espírito do concílio e das origens é uma tarefa de sempre. Ver e agir com os olhos de Jesus, com a frescura, a fé e confiança dos padres conciliares, saber ler os sinais dos tempos e ser profetas da esperança, vencendo a tendência pessimista dos profetas da desgraça, eis o que desejo para a nossa diocese e os nossos colaboradores na missão, para esta Igreja em caminhada sinodal.

Será este o espírito e a atitude que reina entre nós, na Igreja de Beja? Onde estão as nossas dificuldades e omissões?