sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Férias Comunitárias – Concelho de Mértola




Desde há muitos anos, no mês de Agosto as Paróquias do concelho de Mértola recebem jovens, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Olivais Sul – Lisboa, para passar uma semana de “férias” comunitárias, uma missão de evangelização.
Este ano era um grupo de 13 jovens que se dividiram em dois: um foi para a localidade de Corte Sines - paróquia de Mértola e outro para a Paróquia de Corte do Pinto. A semana é passada ao jeito de Jesus, desprovidos de bens materiais onde o que predomina é o amor ao próximo e evangelizar através da palavra de Deus.
Os jovens passam a semana junto da população desde os mais novos aos mais velhos existe tempo e momentos para todos!
Agradeço esta bênção que Deus nos concede durante esta semana e peço muita força para este grupo e que sejam sempre iluminados pela Luz de Cristo.
Ana Cristina Colaço


Testemunho do Grupo
O nosso objetivo nas Férias Comunitárias é sempre oferecer aquilo que podemos: o nosso tempo e a nossa disponibilidade para escutar e para estar com todos os que se cruzam connosco nestas aldeias alentejanas. Dedicamos uma parte do nosso dia a rezar e a estar em grupo, refletindo temas relacionados com a fé (este ano, o tema foi “Os santos como exemplos”). E depois, fortalecidos com a Palavra e a oração, vamos ao encontro dos outros: das crianças, dos jovens e dos idosos.
Para esta missão, temos sempre a garantia de não estarmos sozinhos. Somos enviados por Deus para dar testemunho de Jesus Cristo. E, por isso, aquilo que nos esforçamos por pôr em prática não se trata de uma mera ação de voluntariado mas do próprio Evangelho.
Nesta semana, passada longe de casa, sentimo-nos muitas vezes postos à prova pelo cansaço e pelo calor mas esforçamo-nos por viver com simplicidade e humildade, longe das rotinas e do supérfluo. Assim, é-nos oferecida uma oportunidade para nos conhecermos melhor, a nós próprios e aos outros. Trata-se de uma possibilidade para nos aproximarmos de Deus e discernirmos aquilo que é a Sua vontade para nós.
No fim desta experiência tão cheia e rica, encontrámo-nos na Casa Paroquial de Mértola, para partilhar as experiências que vivemos e fazer uma avaliação pessoal e comunitária deste tempo de missão. A acompanhar-nos neste último fim-de-semana esteve o P. David, vigário paroquial, e a Irmã Fátima, missionária comboniana, que acompanham o nosso grupo na paróquia, e alguns outros jovens que não puderam estar presentes durante o tempo restante.
Voltamos a Lisboa marcados pelas pessoas que conhecemos, gratos pelos gestos bondosos que demonstraram, abrindo as portas das suas casa para nós. Marca-nos também os momentos de oração comunitários e os tantos momentos alegres que partilhámos.
Uma palavra de gratidão às comunidades que nos acolheram, em especial à Ana Cristina e aos priores de Mértola.
Grupo de jovens
Paróquia de Nª Sª da Conceição - Olivais Sul

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A “nossa casa” no Alentejo Litoral – Um testemunho


No dia 27 de Julho teve início mais uma semana missionária do Grupo Missionário Ondjoyetu (*) que, neste ano, teve lugar em São Francisco da Serra, concelho de Santiago do Cacém.
Vivemos e partilhámos aquela semana com a comunidade que nos acolheu muito bem. O grupo da Juventude Mariana Vicentina de S. Francisco da Serra esteve sempre presente nos encontros e nos momentos mais solenes. Os Padres Vicentinos, responsáveis por aquela paróquia, foram a nossa ponte nesta missão, quer na interacção com as pessoas quer no planeamento da nossa semana.             
Durante este tempo em S. Francisco não faltaram actividades, desde visitas a centros-de-dia, animações eucarísticas, Cercisiago e encontros com a comunidade. Nestes encontros procurávamos aprofundar ou encontrar os nossos valores enquanto cristãos neste mundo cada vez mais individualista e marcado por muitas diferenças culturais e sócio-económicas.                                                 
As visitas aos centros-de-dia foram muito marcantes, não só por estarmos a conviver com pessoas de idade mais avançada, com experiências de vida que partilharam connosco, mas também pela interacção que tivemos com eles. Pezinho para cá, pezinho para lá, ao som do acordeão e das violas, fomos cantando e bailando com eles músicas que lhes faziam relembrar o seu tempo de juventude.
O dia que passámos na Cercisiago foi um dia especial, não só por estarmos a conviver com pessoas diferentes, mas sim pela alegria que eles nos transmitiram e também pela maneira muito genuína com que nos receberam de braços abertos. Mesmo sendo tão pouco o que lhes podíamos oferecer, eles aceitaram com um sorriso no rosto e nos deram em dobro.                                                   
Ao longo destes oito dias os desafios foram sendo superados e a cada dia que passava os nossos laços com a comunidade de S. Francisco iam-se intensificando. Esta semana por terras de Alentejo ficará no meu (nosso) coração pois, apesar de faltarem muitos recursos no nosso planeta, enquanto houver amor e tolerância entre os homens tudo será possível.
(*) A palavra que dá nome ao grupo – Ondjoyetu – quer dizer, em umbundo, a língua que se fala no Gungo, “A Nossa Casa”.

Pelo Grupo Ondjoyetu
                    Diogo Salgueiro


domingo, 1 de setembro de 2013

MENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013


Caros Irmãos e Irmãs,

Celebramos, este ano, o Dia Mundial das Missões, enquanto estamos a concluir o Ano da fé, ocasião importante para reforçar a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja, que anuncia com coragem o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de vos propor algumas reflexões.


1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para que o possamos conhecer e amar. Ele quer estabelecer uma relação connosco para nos fazer participantes da sua própria vida e tornar a nossa vida com maior sentido, mais bela e melhor. Deus ama-nos! A fé, no entanto, exige ser acolhida, exige a nossa resposta pessoal, exige a coragem para nos aproximarmos de Deus, para vermos o seu amor, gratos pela sua infinita misericórdia.

É um dom, pois, que não é reservado apenas a alguns, mas que é oferecido a todos com generosidade. Todos deveriam poder experimentar a alegria de nos sentirmos amados por Deus, a alegria da Salvação! E é um dom que não se pode possuir apenas para si próprio, mas que deve ser partilhado. Se o quisermos possuir para nós próprios, tornar-nos-emos cristãos isolados, estéreis e doentes. O anúncio do Evangelho faz parte do ser discípulo de Cristo e é um empenho constante que anima toda a vida da Igreja. “O impulso missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial” (Bento XVI, Exort. Ap. Verbum Domini, 95).

Cada comunidade torna-se “adulta” quando professa a fé, a celebra com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do seu próprio espaço fechado para levá-la também à “periferia”, sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicar aos outros, de a irradiar, de a viver na caridade, de a testemunhar a quantos vivem e partilham connosco o caminho da vida.

2. O Ano da fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é um estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e nações. A missionariedade não é só uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de cada pessoa, porque “os confins” da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher. O Concílio Vaticano II sublinhou, de modo particular, como o trabalho missionário, a tarefa de alargar os confins da fé, seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs: “Dado que o povo de Deus vive nas comunidades, especialmente nas dioceses e paróquias, e nelas se torna visível, cabe também a esta comunidade ser testemunha de Cristo diante de todas as nações.” (Decr. Ad Gentes, 37).

Cada comunidade é, pois, interpelada e convidada a fazer seu o mandato dado por Jesus aos apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Act 1, 8), não como um aspecto secundário da vida cristã, mas como um aspecto essencial: todos somos enviados pelo mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e tornando-nos anunciadores do seu Evangelho. Convido os Bispos, os Presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e cada grupo responsável na Igreja a dar o devido relevo à dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio empenho apostólico não é completo, se não contém o propósito de “tornar-se testemunha de Cristo diante das nações”, diante de todos os povos. A missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

3. Frequentemente, a obra da evangelização encontra dificuldades não só no exterior, mas também no interior da própria comunidade eclesial. Às vezes, são fracos o fervor, a alegria, a coragem, a esperança no anunciar a todos a mensagem de Cristo e em ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Às vezes, também se pensa que levar a verdade do Evangelho é fazer violência à liberdade. Paulo VI tem palavras claras sobre a questão: “Seria um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará…é uma homenagem a esta liberdade." (Exort. Ap. Evangelii Nuntiandi, 80).


Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, fazendo-nos portadores do seu Evangelho. Jesus fez-se homem para nos indicar o caminho da salvação, e confiou-nos também a missão de dar a conhecer esta salvação a todos os homens, até aos confins da terra. Muitas vezes,verificamos que a violência, a mentira, o erro são propostos e colocados em evidência. É urgente mostrar ao nosso tempo a vida do Evangelho, através do anúncio e do testemunho e isto, desde já, no interior da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante nunca esquecer o princípio fundamental de cada evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial.

Paulo VI escrevia que “quando o mais desconhecido pregador, missionário, catequista ou Pastor, anuncia o Evangelho, reúne a comunidade, transmite a fé, administra um Sacramento, ainda que o faça sozinho, realiza um acto de Igreja”. Ele não age “para atribuir a si uma missão, nem age através de uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dela” (ibidem) E isto dá força à missão e faz sentir, a cada missionário e evangelizador, que não está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

4. No nosso tempo, a mobilidade aumenta e a facilidade de comunicação através dos “novos media” misturaram entre si os povos, os conhecimentos, as experiências. Por motivos de trabalho famílias inteiras deslocaram-se de um continente para o outro; os intercâmbios profissionais e culturais, em seguida, o turismo e fenómenos análogos impeliram a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, até se torna difícil para a comunidade paroquial conhecer de modo seguro e certo quem está de passagem ou quem vive de forma efectiva nesse território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que são estranhos à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Frequentemente, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da órbita da fé, tornando-os assim candidatos a uma “nova evangelização”. Acrescentar a tudo isto se verifica o facto que ainda uma grande parte da humanidade não conhece a boa nova de Jesus Cristo.

Vivemos, pois, um momento de crise que toca vários sectores da existência humana, não só o da economia, das finanças, da segurança alimentar, do ambiente, mas também o do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. Também as relações humanas são marcadas pelas tensões e conflitos que provocam insegurança e o cansaço para encontrar o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem envolvidos por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar com coragem a cada realidade o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio da força do amor de Deus, que é capaz de vencer as trevas do mal e de nos conduzir sobre o caminho da bem. O homem do nosso tempo tem necessidade de uma luz segura que ilumina o seu caminho e que só o encontro com Cristo pode dar.

Levemos a este mundo, com o nosso testemunho, com amor, a esperança dada pela fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas antes testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito uma vez mais – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma Organização Não Governamental (ONG), mas é antes uma comunidade de pessoas, animada pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem o espanto do encontro com Jesus Cristo, desejando partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem da salvação que o Senhor nos trouxe. É o próprio Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Queria a todos encorajar a tornarem-se anunciadores da boa notícia de Cristo e estou grato, de modo particular, aos missionários e às missionárias, aos sacerdotes Fidei Donum, aos religiosos e às religiosas, aos leigos – sempre mais numerosos – que, acolhendo o chamamento do Senhor, deixam o próprio país, para espalhar o Evangelho em terras e culturas diversas. Mas gostaria também de sublinhar como as próprias igrejas jovens se estão a empenhar generosamente no envio de missionários às igrejas que estão em dificuldade – geralmente Igrejas cristãs antigas – levando assim a frescura e o entusiasmo com as quais elas vivem a fé, que renova a vida e dá esperança.


Viver neste contexto de dimensão universal, respondendo ao mandato de Jesus “Ide, pois, e fazei discípulos em todos os povos” (Mt 28, 19) é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade. Assim, enviar missionários e missionárias não é mais visto como uma perda, mas, antes, um ganho. Faço um apelo a todos quantos sentem tal chamamento a corresponderem generosamente à voz do Espírito, segundo o seu próprio estado de vida, e a não terem medo de serem generosos com o Senhor.

Convido também os Bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as associações cristãs a sustentarem, com clarividência e discernimento atento, o chamamento missionário ad gentes e a ajudarem as Igrejas que têm necessidade de sacerdotes, de religiosos, de religiosas e de leigos para apoiar a comunidade cristã. E esta atenção deveria também estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma mesma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem com generosidade aquelas que sofrem com a sua escassez.

Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os sacerdotes fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas às quais são enviados, e a levarem a sua alegria e a sua experiência às Igrejas da sua origem, recordando como Paulo e Barnabé no fim da sua primeira viagem missionária “contando tudo aquilo que Deus tinha feito por seu meio e como tivesse aberto as portas da fé aos pagãos" (Act 14,27) Eles podem vir a ser um caminho para uma espécie de “restituição” da fé, levando a frescura das jovens igrejas, para que as igrejas da antiga cristandade encontrem o entusiasmo e a alegria de partilharem a fé numa mudança que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.
 
A solicitude para com todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os seus irmãos Bispos, encontra uma importante actuação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias que têm como tarefa animarem e aprofundarem a consciência missionária de cada baptizado e de cada comunidade, quer chamando de novo para a necessidade de uma mais profunda formação missionária no interior do Povo de Deus, quer alimentando a sensibilidade da comunidade cristã para oferecer a sua ajuda na difusão do Evangelho no mundo.

Um pensamento, por fim, aos cristãos que, em várias partes do mundo, se encontram em dificuldade para professar livremente a própria fé e em verem reconhecido o direito de a viverem dignamente. São os nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosos que os mártires dos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Muitos arriscam também a vida para permanecerem fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou próximo, com a minha oração, junto de todas as pessoas, de todas as famílias e comunidades que sofrem violência e intolerância e quero repetir-lhes as palavras consoladoras de Jesus: “Coragem, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: ”a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2Ts 3, 1). Oxalá possa neste Ano da fé tornar sempre mais sólida a relação com Cristo Senhor, porque só Nele há a certeza para enfrentar o futuro e a garantia de um amor autêntico e duradoiro” (Carta Apos. Porta fidei, 15). É o meu augúrio para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo, de coração, os missionários e as missionárias, todos aqueles que acompanham e asseguram esta fundamental tarefa da Igreja, para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra.E nós, ministros do Evangelho e missionários, experimentaremos “ a doce e confortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, Exort. Apos. Evangelii Nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de Maio de 2013,
Solenidade do Pentecostes


Francisco